Cultura

Secretaria quer cultura nos bairros

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Um dos focos da Secretaria Municipal de Cultura (SMC) para os próximos dois anos - tempo que resta no atual mandato do prefeito Tuga Angerami - é atender uma reivindicação antiga não apenas da classe artística bauruense, mas da população de forma geral: levar a cultura aos bairros e valorizar os talentos locais.

Acompanhado do diretor do Departamento de Ação Cultural, Sivaldo Camargo, do diretor do Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural, Henrique Perazzi de Aquino, e do assessor técnico de coordenação cultural, Duílio Duka da Silva, o secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, falou sobre alguns dos projetos programados para este ano, de mudanças na maneira de conduzir a política cultural e na retomada de importantes pontos, como o Bibliônibus e o Conselho Municipal de Cultura.

“Uma das deficiências da secretaria nos últimos dois anos foi a falta de atividades nos bairros. Temos que implementar mais ações até mesmo para formar público para atividades no Centro da cidade. Dois editais que estamos lançando neste mês são de atividades de formação e difusão em bairros. Lógico que vamos encontrar problemas de espaço, estrutura operacional, mas são coisas que temos de enfrentar a fim de distribuir acesso a cultura”, frisa Vinagre.

De acordo com o secretário, a Câmara Municipal deve analisar em breve a criação de um corpo estável de dança da SMC, nos moldes da Banda e da Orquestra Municipal. “Um corpo de 12 bailarinos vai receber bolsa para trabalhar 20 horas semanais na secretaria: dez horas para ensaios e atividades e mais dez horas com oficinas nos bairros da cidade”, explica.

Ele destaca que as oficinas de dança pretendem criar cerca de 1 mil vagas para crianças de 7 a 12 anos. As aulas seriam realizadas em espaços como as bibliotecas-ramais, escolas municipais e associação de moradores. “Queremos criar essa oportunidade na periferia mais distante, onde não há possibilidade de matricular as crianças em academias ou mesmo nas atividades gratuitas da secretaria, pela dificuldade de transporte”, comenta Vinagre.

O retorno do Bibliônibus, provavelmente a partir de março, e a reestruturação das bibliotecas-ramais também estão em pauta. A Secretaria de Estado da Cultura comprometeu-se a mandar cerca de 2,8 mil livros por semestre para a SMC. “Há uma série de problemas, desde a falta de funcionários à falta de informatização. Queremos ter todas as unidades interligadas com a Central até o final deste semestre, para ter um controle mais correto. A estrutura está longe do ideal e esse foi um problema que não conseguimos resolver em dois anos”, lamenta Viangre.

Em cena

Outra proposta da SMC é reformar seu caminhão-palco e criar uma programação de eventos em bairros onde não há instrumentos apropriados para apresentações culturais. “Desde 1983 é o mesmo caminhão, que hoje atende mais a demanda de associações de moradores e entidades. Nossa idéia é ter uma atitude pró-ativa e definir uma programação para ele”, completa o secretário.

No intuito de atender a demanda, a SMC planeja estudar a criação de um teatro-auditório para que grupos e companhias locais possam manter temporadas de suas atividades, com ingresso a preço popular. Tal espaço resolveria parte dos pedidos de cessão do Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves, que tem mais de dez pedidos de uso semanais.

“Bauru precisa de um espaço menor (do que o teatro), com 100 a 150 lugares, que permita que os grupos da cidade trabalhem com temporada. No teatro não é possível, até pela cobrança da porcentagem (da bilheteria, instituída no regulamento do espaço), é impossível manter a mesma peça por 10 dias, por exemplo. Só se resolve isso com um espaço alternativo, gerenciado pelos próprios grupos”, avalia Vinagre. Ele ressalta que a SMC vem pensando em alternativas e analisando o aluguel de galpões ou espaços similares.

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Feiras e festivais

Além da Feira do Livro Infantil, programada para abril, a Secretaria de Cultura já inclui outros eventos em seu calendário do ano. Ainda em março, deve ser realizada mais uma edição da Comic Fan Fest, encontro de escritores e fãs de histórias em quadrinhos.

Para o segundo semestre, a pasta já começa a pensar na Feira do Livro, provavelmente em parceria com o Serviço Social do Comércio (Sesc). “Como já fizemos várias atividades na praça Rui Barbosa, nossa idéia é aumentar nesse ano e a Feira do Livro é uma delas, nos moldes da feira de Ribeirão Preto, mais popular. O Automóvel Club seria aproveitado para palestras”, aponta Vinagre.

O Teatro Municipal, por sua vez, deve sediar uma mostra com companhias que têm peças de textos da literatura brasileira e mundial, normalmente interessantes para vestibulandos. “No final do ano, companhias do Interior sempre pedem para trazer esse tipo de peça, então queremos reunir todas em uma semana”, diz o secretário. Outro projeto é a promoção de uma semana de teatro e cultura com grupos universitários.

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