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Bebês são exumados, mas o DNA já pode estar inviabilizado

Da Redação
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Está praticamente descartada a chance de Reginaldo Aparecido de Souza esclarecer se o corpo de seu filho está enterrado na cova de um dos outros três bebês que morreram em 21 de outubro de 2001 e foram sepultados no Cemitério do Jardim Redentor em Bauru e Guaiçara (a 110 quilômetros de Bauru). Ontem, uma equipe do Instituto Médico Legal (IML) comandada por Ivan Segura, diretor do órgão, colheu amostras da ossada dos três bebês – dois em Bauru e um em Guaiçara - para exame de DNA. Mas como os ossos já estavam em estado de decomposição avançada, o diretor do IML avalia como remotas as chances de conseguir comprovar a paternidade através de DNA.

“Nos ossos dos bebês que foram exumados hoje (ontem) não há mais material orgânico suficiente para a análise de DNA”, explica. Está descartado também descobrir, através da análise das ossadas, o sexo dos bebês enterrados. “Em corpos de adultos, a diferença entre os sexos pode ser verificada analisando a ossada, mas em crianças isso é muito difícil”, explica um dos médicos legista que participou da exumação, Eversom Luis Mainini.

De qualquer maneira, os ossos dos bebês serão enviados ao laboratório que presta serviço ao IML de Bauru na Capital. “Os ossos serão levados em uma viatura na sexta-feira. Vamos pedir a maior agilidade possível”, diz Segura. O laudo deverá sair no prazo de 30 dias.

O IML também solicitou exame de DNA dos quatro casais pais dos bebês que morreram na ocasião. As mostras de sangue foram coletadas ontem de manhã, antes da exumação dos corpos. Três casais foram submetidos ao procedimento nas dependências do instituto, em Bauru. O casal de Guaiçara se submeteu ao exame na cidade onde mora.

Se for possível a análise do DNA dos corpos exumados, o resultado dos testes será comparado ao aferido dos pais. Diante do impasse, Reginaldo e sua esposa Vera Lúcia Dutra pedem também teste de DNA de outras 14 crianças que nasceram no mesmo dia na Maternidade Santa Isabel e estão vivas.

O delegado do 3.º Distrito Policial (DP) que investiga o caso, Ismael Cavalieri, disse que antes de solicitar DNA das crianças vivas vai aguardar o resultado do laudo da ossada dos bebês exumados. “Não está descartada a hipótese de pedirmos o DNA nas crianças vivas”, diz.

O advogado de Reginaldo, Roberto Kassim Júnior, disse que já solicitou formalmente o teste nas crianças vivas. Ele também está reunindo documentos para entrar na Justiça contra a Maternidade Santa Isabel. “Vamos entrar com uma ação na Justiça acusando a maternidade de danos materiais e morais”, alega o advogado.

30 minutos

Além de Reginaldo, os outros dois casais cujos filhos morreram no dia 21 de outubro de 2001 e foram enterrados no Cemitério do Jardim Redentor acompanharam de perto a exumação. Já Vera Lúcia preferiu não ficar no local. “Trouxemos um filho e ela preferiu que ele não visse a exumação”, explica Reginaldo.

Pontualmente às 10h, a equipe do IML começou a exumação dos corpos. O funcionário do cemitério abriu a primeira cova, onde estaria enterrado o filho do casal Ronaldo Augusto de Matos e Ana Paula de Souza. A mulher se emocionou ao ver os restos mortais do bebê.

As amostras coletadas foram colocadas em sacos plásticos, que depois foram lacrados. A ossada estava praticamente completa, mas em estado avançado de decomposição. O mesmo procedimento foi feito na exumação do corpo que seria da filha de Terezinha do Carmo Oliveira e Luiz Alberto Tomé. Às 10h30, a exumação já havia terminado.

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Impasse

Há quase cinco anos, Reginaldo e Vera convivem com a agonia de não saber se o filho, que nasceu na Maternidade Santa Isabel no dia 21 de outubro, está vivo ou realmente morreu. E, se morreu, onde foi enterrado. Horas depois do parto, o casal foi informado da morte da criança. Era do sexo masculino, mas sepultaram uma menina.

Conforme o JC já divulgou, após avaliar os documentos do hospital e analisar o resultado da exumação já realizada da ossada do bebê enterrado como filho de Reginaldo e Vera, o Ministério Público não tem dúvidas da troca de crianças.

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