Rural

Apesar do bom preço da arroba do boi em Bauru, pecuaristas reclamam

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

A região de Bauru apresenta um dos melhores preços de arroba do boi no Interior do Estado de São Paulo. Conforme a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a arroba foi cotada, entre novembro e dezembro de 2006, a R$ 54,54 na região de Bauru. O maior preço em outras regiões foi de R$ 54,40. Na área de abrangência de São José do Rio Preto, a arroba foi comercializada a R$ 54,38. A região de Araçatuba apresentou um dos piores índices, com o preço a R$ 54,15.

Apesar da posição favorável da região de Bauru perante às demais áreas do Estado, o valor da arroba ainda está longe do ideal. Os pecuaristas estão insatisfeitos e só falam em prejuízos.

O valor da arroba bovina já esteve mais alto. Para os produtores, a arrouba deveria valer R$ 60,00. De acordo com eles, seria o preço mais viável no momento para equilibrar despesa e ganho com a atividade.

“No ano passado fiquei no empate. Não deu para ganhar nada. A comida para tratar o gado é cara e o regime de pasto não compensa porque demora muito para engordar o boi. Ninguém ganhou dinheiro em 2006”, comenta o pecuarista João Moya, que entrega para abate 100 cabeças por mês entre suas três fazendas em Bauru.

Na opinião dele, o preço da arroba bovina na região de Bauru se sobrepõe ao das demais regiões do Interior por conta da qualidade da carne do gado. “O manejo e o tratamento que o boi tem em nossa região é diferenciado. O produtor se preocupa muito com as determinações legais e por isso, cuida muito bem de seu rebanho. Essas ações refletem na qualidade da carne, que é mais macia e saborosa”, completa o pecuarista.

De acordo com ele, embora o preço seja um dos melhores praticados no Estado, ainda é insuficiente para motivar aumento no faturamento.

“Ainda está muito aquém do necessário para haver uma retorno lucrativo para a gente. Infelizmente, não temos o que comemorar”, avalia Moya.

A opinião do pecuarista é compartilhada pelo empresário de leilões de gado Dênis Alcântara Marangon. “O preço da arroba está injusto e desanimador”, reclama.

Segundo ele, a atual situação do gado de corte no País está levando muitos produtores, inclusive da região de Bauru, a migrar para outras atividades.

“Muitos pecuaristas estão transformando seus pastos em extensas plantações de laranja, cana-de-açúcar e até de eucalipto. Hoje, essas culturas rendem mais, além de darem maior estabilidade”, ressalta.

Demanda

Segundo Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru, o preço da arroba caiu significativamente nos últimos anos por conta de fatores conjunturais da economia brasileira. Porém, a situação se agravou nos últimos anos, especialmente em 2005, por conta da febre aftosa. A doença voltou a prejudicar os rebanhos do País, principalmente dos Estado de São Paulo e Mato Grosso do Sul, que concentram as maiores rebanho de bovinos do Brasil.

No entanto, Lima Verde entende que a variação do preço da arroba está diretamente relacionada à necessidade do mercado. “Ela é cíclica. Daqui um mês, por exemplo, o preço da arroba em Bauru pode ficar menor que o valor praticado em outras regiões. É um processo diretamente ligado à necessidade dos frigoríficos. Se a procura deles for grande, o preço se eleva”, explica.

Em Bauru, conforme Lima Verde, cerca de 1.500 cabeças de gado bovino são abatidas por dia. Atualmente, a pecuária é a principal e mais rentável atividade rural do município, com rebanho que supera 8 mil cabeças.

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