Internacional

Evo Morales ameaça expulsar Shell

Folhapress
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La Paz - O presidente da Bolívia, Evo Morales, ameaçou expulsar do país a Shell e a Prisma International, que controlam a Transredes (responsável por parte do transporte do gás ao Brasil), se for comprovado que a empresa fechou dutos de fornecimento de combustível durante os enfrentamentos do último sábado em Camiri (Província de Santa Cruz).

“Dei instruções ao ministro dos Hidrocarbonetos (Carlos Villegas) para que seja dado um ultimato. Estamos investigando e se for provado que houve sabotagem, não tenho medo, minha mão não tremerá para expulsar a empresa que sabota e conspira contra o governo, contra a economia nacional”, disse Morales, segundo a estatal ABI (Agência Boliviana de Informação).

Os dutos fechados fornecem combustível às cidades de Santa Cruz, La Paz, Chuquisaca e Potosí.

Segundo a ABI, Morales foi informado de que a Transredes teria fechado as válvulas dos dutos na sexta-feira, horas antes de manifestantes de Camiri terem invadido as instalações da empresa.

Forças combinadas do Exército e da polícia retomaram o controle do local nas primeiras horas do sábado. Houve relatos de trocas de tiros com civis e a operação de retomada deixou ao menos sete feridos - cinco civis e dois policiais.

O porta-voz da presidência, Álex Contreras, disse, no entanto, que a polícia e o exército só fizeram uso de gás lacrimogênio e balas de borracha. Morales disse ainda que está sob investigação a atuação dos seguranças das instalações, que teriam negligenciado a vigilância do local, sem tomar as medidas necessárias para impedir a invasão do local.

O presidente boliviano disse ainda que, depois de retomado o controle, foi solicitado à Transredes que restabelecesse o abastecimento, mas a empresa teria apresentado pretextos para atrasar o serviço - os técnicos teriam alegado primeiro que havia cheiro de gás e que havia ainda risco de explosão, e depois que outras estações de abastecimento não estavam sob controle.

O senador Antonio Peredo, do MAS (Movimento ao Socialismo, partido de Morales), disse que a Transredes foi “especialmente contrária à assinatura de um novo contrato com o governo boliviano”, referindo-se ao decreto de nacionalização.

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