Cultura

Império de Casa Verde acredita no tricampeonato

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

O patrono da Império de Casa Verde, Francisco Plumari Júnior, o Chico Ronda, tinha olhos de visionários. Foi ele que, em 1994, conseguiu o espaço, na época um tanto exagerado, para a construção da sede no bairro da Casa Verde, zona norte de São Paulo.

“Ele queria um galpão grande pois dizia que um dia a escola precisaria de um lugar como aquele para guardar os carros. E ele tinha razão, hoje o espaço já está pequeno”, conta o carnavalesco Jorge Luís Marques.

E o salto do tigre – símbolo do grupo – foi grande e veloz. Em seus três primeiros anos de história, a escola ganhou três títulos (Acesso B, Grupo 4 e Grupo 3) e passou a desfilar com as escolas mais tradicionais. Mas foram os anos de 2005 e 2006 que registraram o nome da Império na história do Carnaval paulistano.

“Somos a escola mais nova do Grupo Especial e conquistamos o bicampeonato. A cada ano, a pressão é maior, mas estamos preparados para receber o título pelo terceiro ano consecutivo”, espera o carnavalesco.

Além da cobrança, o número de foliões que deseja desfilar pela escola aumenta a cada título. Neste ano, cerca de 3,5 mil pessoas devem vestir a fantasia da Império, um aumento aproximado de 40% em relação ao Carnaval de 2005, segundo o carnavalesco. “Se antes nós tínhamos que distribuir fantasias, hoje vendemos todas”, diz Marques.

De acordo ainda com o carnavalesco, metade do figurino é doado a pessoas da própria comunidade, responsáveis pelos principais cargos da escola, como os de rainha e madrinha da bateria. “Só neste ano que optamos em não dar o cargo para ninguém para não haver chateações”, explica o carnavalesco. A única “personalidade” esperada para o desfile é a ex-dançarina do É o Tchan Sheila Mello, que pelo terceiro ano consecutivo desfilará como imperatriz da bateria.

Além de empregos e fantasias, a comunidade da Império de Casa Verde é agraciada ao longo do ano com uma série de ações em conjunto com os funcionários, colaboradores e associados da escola. “Nosso objetivo é preservar a cultura popular brasileira, assumindo a nossa responsabilidade socioambiental junto à comunidade”, afirma a coordenadora de projetos sociais da escola, Tatyanna Nery.

Neste sentido, a Império desenvolve desde o ano passado o Projeto Império Cidadão, que oferece programas socioambientais e cursos profissionalizantes nas áreas de cinema, informática, telemar-keting, cabeleireiro e artesanato. “Nossa meta é qualificar, capacitar e promover aos beneficiados do Projeto Império Cidadão a preparação profissional em sua totalidade, resgatando sua auto-estima e capacidade de criação”, cita o texto de divulgação. Mais informações sobre a escola no site: www.imperiodecasaverde.com.br

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Preparativos

A menos de uma semana para a grande festa, o movimento no barracão da escola Império de Casa Verde é intenso. São mais de 700 pessoas que trabalham dias, e às vezes noites, para dar ainda mais brilho às conquistas dos impérios contadas no enredo “Glórias e Conquistas - A Força do Império está no Salto do Tigre”. “Assim que passa o Carnaval, nós já começamos a pensar no próximo”, narra o carnavalesco Jorge Luís Marques.

Para 2007, a escolha do enredo não foi tão difícil, já que era uma vontade antiga da diretoria. “Faz uns dois anos que queríamos este enredo, mas não tínhamos dinheiro”, diz Marques.

Para dar conta de tanta história, cerca de 27 alegorias e cinco carros alegóricos vão percorrer vastos territórios, eras e dinastias, passando pelo império romano e pré-colombiano até chegar ao império do Carnaval. “A gente acredita que o folião é o próprio imperador na avenida. Ele tem quatro dias de reinado”, diz o carnavalesco.

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