Bairros

Sem lenço, mas com documento

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 1 min

Maria Luiza de Andrade, 48 anos, trabalha na praça Rui Barbosa, Centro. Com algumas sementes na mãos e muitas idéias na cabeça, ela ganha a vida confeccionando colares, brincos e enfeites (foto). “Aprendi esses ‘trampos’ em 1975, com um pessoal que já sabia fazer”, conta. Andrade se refere aos hippies, que revolucionaram o mundo, nos anos 60, com o lema “paz e amor”.

Apesar de hoje os tempos serem outros, ela ainda se reconhece como uma legítima representante do movimento “flower power” (poder da flor, em inglês). “Tem o artesão, que faz as peças apenas para vender, e tem o hippie, que escolheu sobreviver da própria criatividade. Este é o meu caso”, diz.

Uma hipótese pode explicar o talento de Andrade com os colares. É que ela nasceu na aldeia indígena de Avaí. “Acho que isso é um negócio meio de sangue”, diz. Mas a ligação com o povo ancestral cessa por aí. “A única coisa que herdei deles foi o ‘trampo’. A minha cultura é completamente diferente”, afirma.

Andrade foi criada em Bauru. Ainda assim, ela é capaz de entrar na mata e encontrar com facilidade a matéria-prima para seu trabalho. “Às vezes vou até a divisa do Rio de Janeiro com Minas Gerais para apanhar sementes”, garante. A artesã chega a gastar até três meses nessas viagens. É porque ela é livre, dirão alguns. De fato é, mas nem tanto. “De vez em quando tenho de voltar, pois tenho casa, contas para pagar e uma filha para criar”, explica.

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