• Saída inevitável
A saída de Paulo Canalli da chefia de Gabinete foi interpretada de formas distintas entre políticos e analistas, ontem. Os mais oposicionistas entendem que Canalli não tinha outra saída: ou deixava o cargo ou complicava ainda mais o governo municipal no terreno das relações políticas, principalmente com a Câmara Municipal, no momento que o governo enfrenta e tenta sair de mais uma crise - aquela gerada pela falta de fiscalização no transporte escolar.
• ‘Fim de um ciclo’
Já o próprio Canalli afirmou ontem que viu um ciclo político se encerrar com sua saída. Demonstrando serenidade e sem destilar rancor contra ninguém, Canalli entendeu que chegou sua hora de colaborar para que as relações políticas do governo com as demais forças partidárias não se esfacelem. “Saio de cabeça erguida e com a certeza de ter feito um trabalho para mudar paradigmas, como tem feito o governo de Tuga ao longo dos últimos dois anos”, afirmou.
• Nãos e rejeições
Canalli afirmou que as medidas antipáticas adotadas pelo Gabinete para contenção de gastos e racionalização dos serviços e pessoal e os “não” que diariamente era obrigado a dizer para o público externo, mais a incapacidade financeira da prefeitura de atender as principais demandas da cidade e de pessoas determinaram grande parte de seu desgaste à frente do órgão.
• Governo do “sem”
Mas Canalli pode seguramente somar a estes fatores técnicos que elencou acima o fator político, tanto o interno quanto o externo. Interno, pela incapacidade ou falta de disposição da administração Tuga de se blindar politicamente. Trata-se de um governo sem bancada na Câmara, sem gabinete com gente capaz de apagar “incêndios”, sem grupo político pensante e sem partido. Externo, pelas arestas que os que pediam a sua saída reclamavam.
• Fase de coalizão
O vereador Alex Gasparini (PMDB) viu a troca na chefia de Gabinete como medida normal e necessária para o ambiente político. Ele comentou que “agora o Tuga pode aproveitar e inaugurar uma nova fase no governo, buscando uma coalizão com forças mais populares que estavam distantes do Palácio”. Alex fala exatamente sobre os enormes vazios políticos e a falta de articulação do Palácio das Cerejeiras.
• Sagra e discórdia
Troca de farpas. Este foi o resultado mais prático da reunião realizada ontem, na Prefeitura de Bauru, entre o prefeito Tuga Angerami, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Walace Sampaio, e representantes do setor agropecuário do município. A pauta do encontro foi a fusão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Sagra) com a pasta de Desenvolvimento Econômico. Mas parece que um acordo está distante.
• Tentativa frustrada
A tentativa dos governistas de obter apoio do grupo para que a proposta de fusão da Secretaria de Agricultura com a de Desenvolvimento Econômico passe pela Câmara Municipal, através de projeto de lei, fracassou e resultou em bate-boca. O presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, chegou a discutir em tom alto com Sampaio e deixou a reunião antes do término.