Bairros

Quase 80% do asfalto de Bauru está vencido

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Buracos estão devorando as ruas de Bauru e, até o momento, ninguém descobriu uma fórmula para detê-los. Eles são temas recorrentes nas rodas de bate-papo, nos almoços de domingo e já viraram até piada na Internet. Ultimamente é difícil encontrar alguém que não tenha, pelo menos uma vez na vida, caído em algum deles. Democráticos, avançam tanto na periferia quanto nos bairros de classe alta.

Todos reclamam deles, mas quanto mais as queixas se acumulam mais eles se proliferam. Ao menos a Prefeitura de Bauru já descobriu o motivo pelo qual os buracos aumentam tanto em quantidade. É que quase 80% do asfalto da cidade está com o prazo de validade vencido.

Segundo estimativas da Secretaria de Obras, das 10.820 quadras pavimentadas existentes no município, pelo menos em 8.400 o pavimento já ultrapassou os 15 anos de vida útil. “O asfalto é projetado para durar por um determinado período de tempo. Depois disso, precisa passar por manutenções regulares ou do contrário irá estragar”, explica Sérgio Macedo, professor do departamento de engenharia civil da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.

Como nas últimas décadas o trabalho preventivo não foi feito de maneira sistemática, hoje em dia a população tem de literalmente “dançar” para não cair nos buracos que dominam a paisagem da cidade. Na quadra 1 da rua Manoel Rodrigues Madura, no Núcleo Édison Francisco Silva (antigo Bauru 16), há tantas crateras que os veículos já nem têm mais condições de transitar.

“Os carros só conseguem ir até o meio do quarteirão e depois são obrigados a voltar de ré”, afirma a assistente social Janaína Nunes, moradora do local. Não que asfalto esburacado seja uma mazela exclusiva do bairro em questão, muito pelo contrário. Nos últimos tempos, a situação se agravou tanto que se tornou praticamente impossível apontar em qual região da cidade o problema é mais crítico.

Na quadra 1 da rua São Ivo, no Jardim Redentor, até grama brota no meio do asfalto, também vencido. Já no Núcleo Presidente Geisel, nem corredores comerciais escapam do avanço das valas. Na avenida Lúcio Luciano, a mais movimentada do bairro, os carros desviam de um buraco para logo em seguida caírem em outro.

A situação é grave, inclusive, na área central da cidade. Na avenida Rodrigues Alves, principal corredor de ônibus de Bauru, o asfalto está repleto de grandes ondulações que colocam em risco a integridade dos automóveis que circulam pelo local. O defeito é resultado de um trabalho inadequado de compactação feito à época em que a via foi pavimentada, cerca de 30 anos atrás.

Como fluxo de veículos no local é intenso, o piso não resiste e acaba cedendo. Neste caso específico, a prefeitura pretende adotar uma medida drástica para resolver o problema: toda a capa que reveste a avenida será arrancada e no lugar será colocado um novo revestimento.

Já nas demais ruas esburacadas de Bauru, a solução será a colocação de pavimento novo sobre o asfalto já vencido. É o que tem ocorrido, nas últimas semanas, nas principais ruas do Núcleo Octávio Rasi, na zona leste da cidade.

“Como dispomos de poucos recursos, temos de concentrar nossas ações nas vias que são utilizadas pelo transporte coletivo”, explica Eduardo Garcia Sanchez, engenheiro da Secretaria Municipal de Obras. Em outras palavras, as demais ruas (mesmo aquelas cujo asfalto se encontra há várias décadas sem manutenção) terão de esperar. Inclusive, não há previsão de novas obras de pavimentação para os próximos meses.

“No momento, nossa prioridade é cuidar das vias já asfaltadas. Não temos como mexer nas ruas de terra”, garante o Secretário municipal de Obras, Paulo Brittes. Atualmente o município tem apenas um projeto de pavimentação em andamento: 28 quadras dos Parque Santa Cândida e Bauru, da Vila Industrial e do Parque Bauru estão sendo asfaltadas com recursos do Governo do Estado.

Até o final do ano, a prefeitura pretende ainda pavimentar um trecho de terra da avenida Cruzeiro do Sul. E, por hora, é só. Não por acaso, muitos moradores das ruas esburacadas apelam para soluções informais, afim de poderem exercer plenamente seu direito de ir e vir. “Volta e meia a gente joga pedras ou entulho nas crateras, para não correr o risco de cair e quebrar o carro”, diz o eletricitário Luiz Alberto Dezan, 41 anos, que vive no Jardim Aeroporto.

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