• Quaresma difícil
O prefeito Tuga Angerami (sem partido) não terá uma Quaresma muito católica após a Quarta-feira de Cinzas. Pelo que deu para sentir ontem, os ânimos dos vereadores não estão amistosos. Pelo menos de uma parte deles. Ontem, o principal líder da oposição, vereador Marcelo Borges, voltou de uns dias de férias em Natal (RN). Chegou com gás renovado e perguntou: “Que ti-ti-ti é esse que vem lá das Cerejeiras”, parodiando o samba-enredo da Estácio de Sá, que voltou ontem ao grupo de elite do Carnaval carioca.
• Muita água de coco
Apesar de revigorado pela areia branca de Natal e pelas belas praias dos arredores da Capital potiguar, Borges chegou pessimista quanto aos rumos do governo municipal. Tuga Angerami vai precisar de muita saliva e doses extras de água de coco para convencer Borges de que a Câmara deve continuar colaborando com a estabilidade política de sua administração.
• Pressão de eleitores
O vereador tucano entende que a população está no limite de sua paciência. Segundo ele, a própria Câmara já sente na pele as cobranças em relação à governança e também é cobrada pelas soluções que não aparecem, passados dois anos de governo. O fator “pressão popular” é um complicador para a calmaria que toda administração precisa. Trabalho e informação ajudarão bastante a partir de agora.
• Fatores turbulentos
Por outro lado, algumas pessoas avaliam que o prenúncio das eleições de 2008 ameaçam a tão decantada estabilidade política da cidade. A antecipação da disputa em quase dois anos aliada à incapacidade do prefeito em articular apoio entre políticos e a população estariam gerando a atual crise e anunciando outras pela frente. Nem mesmo a saída de Paulo Canalli do Gabinete teria o poder de superar tais complicadores.
• Como estabilizar?
Fica, portanto, a pergunta para ser respondida após o Carnaval: como obter a estabilidade? Como criar um ambiente político se não favorável ao menos propício à governabilidade? Esta última pergunta é feita pelo leitor Douglas Cirilo. Para ele, Tuga deveria iniciar a costura dentro de casa, com seu vice, Renato Purini (PMDB). Só é preciso saber se Purini não está armado até os dentes...
• Sex and the City
Em reunião da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Municipal com o pessoal do Sindicato dos Contabilistas, na última sexta-feira, o vereador Primo Mangialardo (PV) mostrou que está com o ouvido afiado e vendo muita TV a cabo. A certa altura, o aparelho celular do tucano João Parreira tocou e Primo imediatamente identificou o toque do telefone: “É daquela série Sex and the City”. Acertou em cheio.
• Em ritmo de samba
De hoje até quarta-feira, pouca coisa acontecerá em termos de Brasil, São Paulo e Bauru. O País, o Estado e a cidade estão em ritmo de Carnaval. São três dias de descanso para os atores da cena política. Boa parte dos políticos viajou. Na volta, espera-se bom senso e espírito público no cumprimento do sagrado dever de gerir a coisa pública. Não é demais acreditar que a classe dirigente pode ouvir o clamor das ruas.