A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) bem que tentou. Mas ao alterar, há dez dias, a localização das baias para estacionamento de motocicletas do Centro da Cidade, não conseguiu afugentar os mototaxistas clandestinos. Mesmo após a mudança, eles continuam presentes nos pontos de maior fluxo de pessoas e clientes.
Por praticarem concorrência injusta em relação aos credenciados, o Sindicato dos Taxistas, Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bauru e Região pediu providências à Emdurb. “Eles ficam (sem pagar nada por isso) em local privilegiado, perfeito (por conta do vaivém)”, reitera o presidente da entidade, Vitor Talão.
A Emdurb transferiu a baia da rua Azarias Leite na esquina com o Calçadão da Batista de Carvalho para o cruzamento da rua Primeiro de Agosto. A da rua Gustavo Maciel (quadra 10) na esquina com a avenida Rodrigues Alves passou para o cruzamento com a rua Bandeirantes (quadra 11).
Já as vagas antes mantidas na esquina da rua 13 de Maio (quadra 5) com a avenida Rodrigues Alves foram eliminadas. Em contrapartida, as da quadra 6 da mesma rua foram ampliadas. Ainda assim, para o sindicato, essas medidas sozinhas não são suficientes para resolver o problema. Para garantir a clientela, os clandestinos continuam ocupando as baias e estacionam até em local proibido. “Existe serviço para todos, desde que as regras sejam respeitadas”, diz Talão.
No entanto, os mototaxistas credenciados levam desvantagem quando acatam as regras. Por exigência legal, eles devem permanecer a 100 metros dos pontos de táxi e de ônibus. “Hoje vale a pena ser clandestino”, comenta o mototaxista credenciado desde 2000, José Vieira.
Para continuar em estado regular, ele terá de trocar de moto, pois o veículo não pode ter mais de sete anos de uso. Vieira usa capacete branco e protetor de escapamento, itens que são emprestados entre os mototaxistas durante o processo de credenciamento. A partir de abril, as motos de profissionais regulares deverão estar com a placa vermelha.
“Depois, fica difícil para vender. As pessoas acham que ela está baleada e não compram. Os pontos da Emdurb também não ajudam e emprego está difícil para todo mundo”, justifica um profissional que atua na clandestinidade. Ele continua num ponto próximo a taxistas e circulares.
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Táxi
Os mototaxistas representam concorrência inclusive para os taxistas, garante Rubens Antonio Fernandes. “Mas eu não sou contra porque emprego está difícil para todo mundo. Mas tem de ser credenciado”, diz, há 40 anos com as mãos no volante.
Mas segundo enquete feita pelos próprios mototaxistas, não fossem eles, seus clientes recorreriam aos circulares. Talvez por essa razão, a lei preveja distância de 100 metros entre pontos mototáxi e os de ônibus. Resta aos que não concordam com a determinação pressionar o Legislativo para que as regras sejam alteradas, informa a assessoria de imprensa da Emdurb.
De acordo com o órgão, as fiscalizações cabem à Polícia Militar e vêm ocorrendo. Quanto mais freqüentes, mais vagas os motociclistas encontrarão no Centro da Cidade. O operador de máquina Henrique Farias deixou de disputá-las. Coloca a moto em estacionamento. Tem gente adotando a mesma iniciativa com receio de estacionar em “vaga” de clandestinos. Neste caso, há quem diga que o veículo chega a ser, inclusive, riscado.