Bagdá - No dia seguinte ao governo iraquiano anunciar uma queda de 80% nos atos de violência na Capital após a implementação de um plano de segurança, dois carros-bomba explodiram em seqüência em um bairro xiita de Bagdá, matando ao menos 60 pessoas e ferindo 131.
O ataque, que visou uma rua comercial lotada em Nova Bagdá, é o pior desde o início do plano na última quarta-feira. Em sua visita-surpresa a Bagdá ontem, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, havia elogiado a Operação Impondo a Lei como “um bom começo’’, e o premiê iraquiano, o xiita Nuri al Maliki, a classificara como “um sucesso brilhante’’.
Os carros explodiram em seqüência. Um edifício de dois andares foi parcialmente destruído. Quinze minutos antes, uma equipe conjunta de patrulha de americanos e iraquianos havia parado para posar para fotos na mesma esquina onde um dos carros explodiu.
Sempre lotados, os mercados bagdalis têm sido o principal alvo de atentados de viés sectário no Iraque. No último dia 12, mais de 70 pessoas morreram em um ataque no mercado de Shorja.
Uma semana antes, 135 haviam sido mortas, e mais de 300, feridas, pela explosão de um caminhão-bomba em outro mercado, esse no bairro de Sadriya. Além do ataque duplo de ontem, um terceiro carro-bomba matou mais duas pessoas em uma barreira policial em Cidade Sadr, bairro xiita da Capital tido como o bastião da milícia do clérigo radical Moqtada al Sadr, o Exército Mehdi, acusada de manter esquadrões da morte que agem contra a minoria árabe sunita.
Ontem, forças britânicas em Basra, sul do país, se confrontaram com membros da mesma milícia, num enfrentamento que deixou três mortos. O governo iraquiano afirma que Sadr deixou o país em direção ao Irã e que ele ordenou que os principais líderes de sua milícia fizessem o mesmo.
O governo iraquiano ordenou a reabertura das fronteiras com a Síria e o Irã, acusados por Bagdá e Washington de permitir a passagem de insurgentes e terroristas para o país vizinho.