Sem alarde, num movimento coordenado e que varou a madrugada, faixas com manifestação de presos foram fixadas nas cidades da região de Bauru ontem. Só em Marília foram localizadas, até o início da noite de ontem, 14 faixas, distribuídas em diversos pontos da cidade. Outras duas foram fixadas em Botucatu e uma outra em Jaú.
Por enquanto, a mobilização carcerária se mostra pacífica com faixas feitas de forma caseira, seguindo um mesmo padrão. O conteúdo dos textos pede paz e melhor tratamento aos presidiários, principalmente em Presidente Bernardes e Presidente Venceslau, que abriga líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em um regime diferenciado.
No decorrer do dia de ontem, as polícias evitaram falar sobre a forma como os presidiários estavam se manifestando. No entanto, era clara a intenção das autoridades policiais de evitar maior repercussão do fato, objetivo diferente dos presidiários e “simpatizantes”.
Nos presídios, prevaleceu a “greve branca”, que também já atinge cadeias. Os detentos de Iaras, região de Avaré se recusam a tomar banho de sol, faltam às convocações de audiências determinadas pela Justiça e não cumprem com a rotina de trabalhos. A Penitenciária “Dr. Sebastião Martins Siqueira”, em Araraquara, passa por reformas e não integra as manifestações que se estendem por 80 presídios de São Paulo.
Campeã
Marília foi a cidade campeã no número de faixas. Duas foram recolhidas por policiais civis. Uma na avenida Higino Muzzi Filho, no câmpus universitário da Universidade de Marília (Unimar), e uma outra na rua Calim Gadia.
Policiais militares recolheram outras 12. Os alvos escolhidos foram pontos estratégicos e de grande visibilidade, tanto para quem circula a pé quanto para quem trafega em automóveis e ônibus.
As 12 faixas foram amarradas em viadutos, passarelas, fixadas em prédios públicos, escolas, estádio de futebol de várzea e na sede de uma empresa que presta serviço público. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Marília tenta identificar os autores das mensagens.
Em Jaú, uma mensagem foi afixada na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), a Bauru-Jaú, perto do Centro de Ressocialização (CR).
Em Botucatu. duas faixas foram afixadas em um alambrado na avenida Vital Brasil. O imóvel escolhido para receber as mensagens está desocupado. Policiais militares recolheram as manifestações escritas.
Também na Cadeia Pública de Botucatu os presos aderiram à “greve branca”.