Economia & Negócios

Brasileiro gasta mais do que recebe

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

No Brasil, cerca de 42 milhões de pessoas sofrem de endividamento crônico. Ou seja, elas gastam mais do que o orçamento permite. Com isso, acabam entrando em dívidas que, com o tempo, vão crescendo e tornando-se impagáveis. O número de inadimplentes divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) representa mais de 22% da população brasileira.

Para aqueles que não querem fazer parte dessa estatística, a dica é sempre planejar os gastos, priorizar o essencial e deixar de lado o supérfluo. É o que ensina o consultor financeiro Cláudio Boriola. Segundo ele, o problema tem duas soluções que dependem de disciplina e muito empenho: educação financeira e controle rigoroso do orçamento doméstico.

“Deve-se evitar gastar mais do que ganha e procurar pagar sempre à vista para não deixar acúmulos para os meses seguintes”, recomenda o consultor. Ele ressalta a necessidade dos pais ensinarem aos filhos desde pequenos a importância do ato de economizar para que no futuro não sofram com as dívidas.

O apelo muito forte pelo consumo é um dos principais responsáveis pelo endividamento de grande parte da população, na opinião do professor e consultor financeiro Carlos Eduardo de Oliveira. “A própria sociedade impõe que a pessoa precisa ter determinados produtos para poder fazer parte do grupo”, indica.

Ele cita ainda a facilidade de parcelamento da compra como um fator que impulsiona o espírito consumista que há dentro de cada pessoa. Mas o mais grave, na opinião dele, é a falta de planejamento do orçamento familiar e de controle.

“O consumo é bom, mas tem gente que compra indiscriminadamente. É preciso saber quando gastar”, afirma. O planejamento orçamentário precisa ser feito o ano inteiro. Além de não gastar mais do que recebe, é bom fazer uma reserva para emergências.

Para evitar a inadimplência, o consultor Boriola propôs ao Ministério da Educação a introdução da disciplina educação financeira na grade curricular das escolas brasileiras. O projeto visa preparar os jovens para que não sejam enganados pelas armadilhas do mercado. “O consumidor que souber usar os quatro “pês” (planejar, pesquisar, pechinchar e pagar à vista) terá seu bolso protegido”, garante.

Saber comprar

Para Boriola, saber comprar é um exercício difícil, ainda mais quando se é consumista por natureza. “Nunca se deve comprar algo na hora em que se está vendo, principalmente se for algo supérfluo. Recomendo sempre contar até dez ou até quanto for preciso no caso de coisas que não são essenciais.”

Evitar a todo custo as compras a prazo é outra recomendação do consultor. “Os juros embutidos são altos e nem sempre são visíveis, o que faz com que a pessoa pense que está fazendo um bom negócio”, diz.

O professor e também consultor Carlos Eduardo de Oliveira recomenda ainda que o consumidor evite ao máximo usar o cartão de crédito se não conseguir pagar toda a fatura no vencimento. Os juros cobrados pelos cartões são os maiores do mercado: em torno de 12% ao mês, enquanto os juros do cheque especial ficam em cerca de 8%.

“Antes de comprar é bom fazer uma pesquisa de preço. Na dúvida, não compre. Uma noite de sono pode evitar um negócio mal feito”, orienta o professor.

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Planeje seus gastos

Para organizar as contas pessoais, antes de tudo é preciso definir quais serão seus gastos, dividindo o que é fixo e o que é variável. Se a dívida for maior do que você recebeu no mês, a dica é cortar tudo o que for possível e refazer o orçamento. Se sobrar algum dinheiro após pagar todas as contas, invista em alguma aplicação de curto prazo até ter certeza de como usar o excedente. Outra recomendação feita por especialistas é tirar o cartão de crédito da carteira e carregar poucas folhas de cheque.

Nunca deixe de pesquisar preços antes de comprar. Dê preferência às promoções. Se a compra não for urgente, vale a pena esperar por uma queima de estoque. Não deixe de pesquisar, mesmo se a loja garantir que o preço é promocional.

Limite de cheque especial não é renda. Essa reserva só deve ser usada em último caso e se você tiver como pagar ao banco o dinheiro emprestado, com os juros devidos. Procure pagar sempre à vista. Nas compras a prazo, busque a opção mais barata. Os crediários oferecidos pelas lojas normalmente têm taxas menores que os juros cobrados pelas administradoras de cartão de crédito e pelo cheque especial.

A racionalização das despesas é fundamental para manter as contas em ordem. Ao contrário do que se imagina, controle financeiro é algo que pouco ou nada tem a ver com classe social, idade ou sexo.

Acima, segue uma planilha que pode ajudar o consumidor a controlar suas contas. Ela precisa ser atualizada todos os meses, com os gastos que foram feitos nesse período e manter as despesas fixas, como mensalidade escolar, aluguel, financiamento, telefone, energia, entre outras.

O preenchimento é rápido e pode ser feito em uma folha de papel ou no computador. Somam-se as receitas e as despesas e, no fim das contas, o saldo precisa ser positivo. Se não for, os gastos precisam ser revistos, antes que a dívida atinja um volume preocupante.

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