Entrelinhas

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Da Redação
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Triste sina

Os vereadores de Bauru tem um dia importante hoje. Mais uma vez estão diante de uma sina que se abate sobre a cidade há anos, ou seja, as seguidas crises políticas, materializadas, muitas delas, em Comissões Especiais de Inquérito (CEIs) e Comissões Processantes. Assim, a municipalidade se vê hoje diante de três possibilidades: abertura de uma nova CEI (do transporte escolar), não abertura da CEI ou adiamento da decisão para possibilitar o esgotamento das verificações técnicas.

Ao contrário

Diferentemente da expectativa normal e desejada para uma sessão da Câmara - que seria a de se discutir e votar uma pauta cheia de projetos dos poderes Executivo e Legislativo para alavancar o desenvolvimento da cidade -, os vereadores se debruçam sobre a dúvida de abrir ou não a segunda CEI da atual administração, uma vez que a primeira investiga desvios na extinta Secretaria das Regionais – a Sear.

Isolamento

São visíveis as debilidades do atual governo de Bauru, resultantes de uma má vontade política exaustivamente criticada por esta coluna desde os primeiros meses da administração, em 2005. O governo de Tuga Angerami (sem partido) deixou-se isolar quase por completo e só agora, de uma semana para cá, começa a dar sinais de que pretende restabelecer o diálogo com a Câmara e outros setores da sociedade.

Interlocução

Trata-se de um diálogo fundamental para que o povo possa ter ao menos uma idéia de que rumos a classe política pretende dar à cidade em seus dois últimos anos. Para isso, só a somatória de esforços poderá gerar algumas soluções. Um governo que não dialoga com setores políticos e com os setores produtivos de uma cidade (empresários e trabalhadores) não consegue jamais se alinhar aos desejos da população.

Muita cautela

A saída de Paulo Canalli da chefia de Gabinete da prefeitura parece ter sido o primeiro indicativo de que Tuga estava disposto a retomar para valer o diálogo político com o Legislativo. Na Câmara, este indicador foi recebido de maneiras diversas. De qualquer forma, os acenos do chefe do Executivo devem ser considerados. A cautela está sendo adotada pela Casa na análise de mais esta crise. E assim deve ser.

Responsabilidade

Em momentos delicados, é preciso verificar todas as possibilidades de análise dos fatos e caminhos legais e éticos antes de se partir para um instrumento que sabidamente causa transtornos e paralisações, por mais legítimo e necessário que ele seja em muitos casos. Tanto que uma corrente no Legislativo defende que se dê um pouco mais de tempo ao tempo. Outros querem instalar já a CEI.

Maturidade

Seja como for, os vereadores de Bauru têm dado demonstrações de amadurecimento nos últimos anos, resultado do muito que a cidade já sofreu com traumas que paralisam as atividades públicas. Eles têm total soberania para investigar sempre que assim o decidirem e capacidade para pôr na balança todos os prós e contras de processos, mas devem sempre estar sintonizados ao interesse público, maior do que qualquer outro tipo de interesse.

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