Brasília - A taxa média de juros cobrada pelos bancos brasileiros em operações de crédito livre teve uma pequena alta no começo deste ano. De acordo com dados divulgados ontem pelo Departamento Econômico do Banco Central (BC), a taxa média subiu de 39,8% em dezembro de 2006 para 39,9% ao ano em janeiro de 2007. Apesar da alta, a taxa de juros do crédito livre ainda acumula uma queda de 6,2 pontos percentuais em 12 meses até janeiro.
Nos empréstimos para pessoas físicas, a taxa média de juros imposta pelo sistema financeiro do País em operações de crédito livre registrou um avanço em janeiro ante dezembro de 52,1% para 52,3%. Em 12 meses até o primeiro mês do ano, essa taxa ainda tem uma baixa acumulada de 7,4 pontos percentuais. Nos empréstimos para pessoa jurídica, a taxa média de juros ficou estável em janeiro contra dezembro em 26,2% ao ano. Em 12 meses até janeiro, essa taxa tem uma redução acumulada de 5,1 pontos percentuais.
As operações de crédito dos bancos tiveram em janeiro uma elevação de 0,7%. Em dezembro de 2006, a expansão do crédito foi de 2,3%. Com o avanço de janeiro, o estoque das operações de crédito aumentou de R$ 733,824 bilhões para R$ 738,719 bilhões. Em 12 meses até janeiro, o crescimento do crédito está acumulado em 21,4%. Apesar da alta, o crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) permaneceu estável em janeiro em 34,3%.
A base monetária (papel moeda emitido mais reservas bancárias) teve retração de 1,7% na média dos saldos diários de janeiro. Com a variação, o estoque da base monetária pelo conceito de média recuou dos R$ 118,304 bilhões em dezembro do ano passado para R$ 116,328 bilhões.
O estoque da base em janeiro encontra-se dentro do intervalo de variação desse agregado monetário fixado pelo Conselho Monetário Nacional para o primeiro trimestre de 2007, entre R$ 86,9 bilhões e R$ 117,5 bilhões. No conceito de ponta (final do período), a base monetária teve, em janeiro, uma contração de 9,4%. Com isso, a base em fim do período caiu dos R$ 121,102 bilhões em dezembro de 2006 para R$ 109,696 bilhões. Em 12 meses até janeiro, a base em fim do período está com expansão acumulada de 18,2%.
A taxa de inadimplência do crédito cresceu no primeiro mês do ano na comparação com dezembro, de 5% para 5,1%. Em janeiro de 2006, a taxa de inadimplência do crédito livre era de 4,4%. Nas operações com pessoas físicas, a inadimplência recuou em janeiro em relação a dezembro, de 7,6% para 7,5%. Mesmo assim, o percentual é mais alto do que o de 6,9% de janeiro do ano passado.
Nos empréstimos para pessoas jurídicas, a taxa de inadimplência subiu em janeiro, ante dezembro, de 2,7% para 2,8%. Em janeiro de 2006, essa taxa de inadimplência estava em, 2,2%.
Consignado mais baixo
O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Altamir Lopes, disse há pouco que a taxa média de juros dos empréstimos com desconto em folha atingira em janeiro seu menor patamar desde o início da série histórica em janeiro de 2004. A taxa de janeiro, de acordo com Altamir, era de 32,9% ao ano, patamar 0,4 ponto percentual menor que os 33,3% de dezembro do ano passado. Em termos de volume, o crédito com desconto em folha teve alta de 2,9% em janeiro ante dezembro e chegou aos R$ 49,463 bilhões.
Para Altamir, ainda há espaço de crescimento para o crédito consignado. Ele destacou, em especial, que os contratos feitos por aposentados do INSS ainda estão abaixo do potencial. “Temos 18 milhões de aposentados habilitados a tomar o empréstimo com desconto em folha. Mas o número de contratos até janeiro ainda estava em 14 9 milhões”, disse.