• Dentes à mostra
Um Nélson Fio menos sorridente, mais afiado, com as garras abertas, disposto a enfrentar ironias e rebater versões compareceu ontem na Câmara de Bauru para prestar depoimento, mais uma vez, agora no episódio em que foi gravado pelo vice-prefeito Renato Purini em conversa que mantiveram na presença da jornalista Inês Ferreira, em 2005, na Emdurb.
• Tapando buracos
Desta vez Fio não deixou de tapar buracos abertos em falas e perguntas, algumas mais ácidas, e acabou até confirmando que atuou para tentar tapar os buracos financeiros de um jornal alternativo, no caso o Atalho, que foi o pivô da polêmica gravação feita pelo então presidente da Emdurb Renato Purini.
• Que nem quiabo
O ex-diretor de Limpeza Pública da Emdurb Jorge Monteiro também prestou depoimento e, ao melhor estilo “não sei de quase nada”, respondeu polidamente às perguntas, com habilidade impressionante, adquirida em crises passadas, e saiu ileso do interrogatório. Um cidadão que assistia à reunião afirmou: “Que liso!”.
• No fio da meada
Os depoimentos à CEI serviram para trazer à tona duas questões principais. Uma é a motivação para a gravação feita por Purini: José Clemente Rezende. O que se falava nos bastidores agora foi revelado por Nélson Fio. Segundo ele, o vice-prefeito gravou a conversa com a jornalista Inês Ferreira e o então secretário para tentar obter informação que pudesse gerar problemas para o “parceiro” de governo, ou melhor, o desafeto e presidente do DAE.
• Intermediação
A segunda questão trazida pela CEI é que, até este momento, não se conseguiu chegar a Clemente. Seu assessor de Gabinete, Antonio Carlos Yamashita, é quem confirmou ter indicado uma empresa a Fio para fazer publicidade no Atalho, em 2005. Mas isso não é pecado. Pecado foi o então secretário se valer da função pública para buscar patrocínios “institucionais” entre colegas de governo.
• Olha a vitimização!
Os vereadores dão todas as demonstrações de que vão tentar esticar os trabalhos da comissão mas, até por paralelo, a lição de utilizar instrumentos alheios para atingir objetivos alheios poderia servir de alerta. É notório que a apuração de “contrato de publicidade” no DAE foi inserida na CEI para atingir Clemente. Mas desse jeito vão acabar vitimizando o presidente do DAE. E a um custo muito barato: um anúncio de jornal alternativo de R$ 300,00.
• Cancelamento
A Prefeitura de Bauru decidiu suspender o processo licitatório que visa a contratação de empresa especializada para o recadastramento de até 70 mil imóveis. Dúvidas levantadas por empresas interessadas no edital fizeram a administração cancelar o processo para aperfeiçoar o texto do ponto de vista jurídico. Melhor ser prudente agora do que enfrentar maiores dificuldades depois.
• Bruxo de volta
Depois de um tempo afastado das articulações políticas, o “bruxinho” Edison Gasparini Júnior está de volta ao tabuleiro. Ontem e anteontem ele esteve em Brasília cuidando de interesses da Cohab. Hoje estará de volta a Bauru para ajudar a catar e colar os cacos restantes da base política do governo municipal.