Bairros

Luta por abastecimento inclui escalar o telhado

Por Luciana La Fortezza | Colaborou Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Sem água há cinco dias, moradores de bairros como o Jardim Chapadão se sujeitaram, inclusive, a situações desgastantes. Há quem escale o telhado para abastecer com baldes a caixa da residência, quem falte ao trabalho para garantir água à família, quem recorra a parentes para tomar banho e até quem sacrifique a higiene pessoal por conta das torneiras secas.

Zélia Moreira, por exemplo, não lava a cabeça há uma semana. Apesar de queixar-se da elevação da conta de água nos últimos meses, entre sexta-feira passada e ontem chegou a deitar-se sem tomar banho. “Lavei só o pé para dormir”, confessa. Medidas radicais assim não podem ser adotadas na casa de Maria de Lurdes Santos Antunes.

O pai dela, aos 77 anos, é acamado, usa fraldas e depende de oito trocas de roupa por dia. “Para fazer a higiene dele não dá para ser com balde, não consigo. Meu filho sobe no telhado e joga uns quatro ou cinco baldes de água. Aí ele toma banho”, conta - também insatisfeita com o valor das contas d’água.

A situação na família dela só não é pior porque eles conseguem manter a rotina de casa com água cedida por um posto de combustível próximo, que dispõe de poço próprio.

Já o pedreiro Lourenço Rol perdeu dia de trabalho para abastecer sua residência. A mulher, Elizabete Cardoso, sofre do coração e não pode ficar sem água. Aliás, por recomendação médica, deve consumi-la em grande quantidade.

Danos

Prejuízo, aliás, não é exceção no Jardim Chapadão. A filha de Aparecida Barroso foi forçada a fechar as portas de um bar mantido em frente de casa em virtude da suspensão do abastecimento.

“Nós vivemos disso (das vendas) e da minha aposentadoria. Hoje (ontem) ela vai querer abrir (à noite)”, comenta. Aos 75 anos, Aparecida saltou ontem da cama às 3h da madrugada para lavar as roupas para o neto Robson Gustavo. “Ele não tinha mais o que vestir”, comenta. A louça, no entanto, ficou acumulada.

O problema é o mesmo na casa de Solange Costa. Mãe de dois filhos, com 13 e 6 anos, a família dela passou a deslocar-se todos os dias até o Jardim Pagani para tomar banho na casa do sogro. Adota a mesma medida Fabiana dos Santos, que se esforça para economizar água.

No entanto, segundo moradores ouvidos pela reportagem, no mesmo bairro há quem desperdice o pouco de água que chega durante a madrugada em função das interligações emergenciais feitas pelo DAE. Informaram que até carro e garagem foram lavados, apesar da escassez.

Enquanto isso, o caminhão-pipa circula pela região. “Mas ele vem só para abastecer os baldes, não as caixas. É difícil armazenar”, conclui o conferente de carga José Raimundo da Silva.

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Valor

Enquanto a reportagem circulava pelo Jardim Chapadão, foi abordada por vários moradores com queixas quanto ao valor da conta de água cobrada nos últimos meses.

Mas segundo a assessoria de imprensa do DAE, o valor aumenta conforme o consumo.

Portanto, a recomendação aos moradores é de que verifiquem eventuais vazamentos de água em casa, antes de procurar a autarquia. Outras informações podem ser obtidas no DAE pelos telefones (14) 3235-6155 e 3235-6150.

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