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Aos 74 anos, morre o mestre Aucione

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

Bauru perdeu na madrugada de ontem um de seus maiores artistas. Aucione Torres Agostinho morreu às 3h, no Hospital Unimed, onde estava internado para fazer uma cirurgia. Segundo a filha do artista, Isabele Andreoli Agostinho, há algum tempo Aucione vinha sofrendo com idas e vindas ao hospital. Desta vez, mesmo sem ser internado com urgência, o mestre não resistiu.

Apesar da tristeza pela perda do pai, Isabele afirmou que a morte foi um descanso para Aucione, que já estava com a saúde muito debilitada. “Ele descansou”, disse. A mulher de Aucione, Maria Amélia Andreoli, lembrou das várias obras realizadas pelo artista, ao longo de sua vida. “Ele tem obras espalhadas pelo Brasil e pelo mundo”, lembrou.

Quem também lamentou a perda foi o jornalista e ex-prefeito Nilson Costa, que trabalhou com Aucione no Jornal da Cidade. “Ele conseguia captar qualquer assunto com suas charges. É uma perda lamentável, o mundo cultural perdeu uma figura extraordinária”, frisou.

Artista completo

Artista plástico, escultor, pintor, poeta, professor, exímio cantor de serestas e fotógrafo nas horas vagas, Aucione foi chargista do Jornal da Cidade - convidado pelo poeta Nindoval Reis - de 1970 até o ano de 1990. Formado pela Faculdade de Artes e Comunicação - Fundação Educacional de Bauru (atual Unesp) – em educação artística, desenho e artes plásticas, exerceu por muito tempo a função de professor no Colégio Técnico Industrial “Professor Isaac Portal Roldan”, em Bauru. Além disso, fez mestrado e doutorado pela Unesp e cursos na Europa, durante três meses.

Aucione publicou dois livros. O primeiro, em 1981, chamado “Chargeando”, traz caricaturas de pessoas de expressão e do movimento político na cidade de Bauru. O segundo, lançado em 1995, intitulado “Bauru no Tempo e no Traço”, é uma homenagem feita pelo autor aos 100 anos da cidade. Além das duas publicações, Aucione desenhou a capa do livro de poesia de Cora Coralina. Da poetisa, o autor também esculpiu um busto, que está na cidade de Goiás Velho.

Escultor

Além de desenhar e pintar a capela do Centro de Anomalias Craniofaciais de Bauru, o Centrinho, e ajudar a construí-la, pintou uma capela na cidade de Jacuba. Como escultor já fez grandes obras como a homenagem “O Soldado”, que está na cidade de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, e “O Emigrante” que é uma escultura de cinco pessoas, em tamanho real, que está em uma praça de Póvoa de Varzinha, em Portugal.

Entre os trabalhos menores, mas não menos importantes, está uma peça que ganhou em São Paulo, no ano de 1997, o prêmio de primeiro lugar, entre outras 30 esculturas em uma mostra de trabalhos feitos por funcionários públicos. Como músico, gravou um CD de serestas. A obra leva o nome de “Aucione Para os Amigos” e traz no repertório, além de canções já conhecidas dos amantes do estilo, uma especial em homenagem à sua mãe. Como poeta, escreveu obras como “Confidentes”, “Encantamento” e “Madrugada”.

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