Bruxelas - Envolto na controvérsia internacional acerca de seu programa nuclear, o Irã aparentemente interrompeu o enriquecimento de urânio enquanto aguarda as resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre novas sanções, informou ontem o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei.
ElBaradei afirmou também que a falta de cooperação por parte do Irã com os inspetores da AIEA significa que a agência não foi capaz de estabelecer se as atividades nucleares iranianas servem meramente a propósitos pacíficos.
Para um oficial sênior da AIEA, a interrupção temporária das atividades nucleares do Irã dificilmente levará à aceitação por parte de Teerã do congelamento total do programa de enriquecimento de urânio do país, conforme exigido pela ONU.
Ali Ashgar Soltanieh, líder iraniano dos delegados da AIEA, afirmou que seu país nunca abrirá mão do direito de enriquecer urânio.
Oposição européia
Também ontem, ministros das Relações Exteriores da União Européia (UE) concordaram em manter a pressão contra o Irã diante das recusas do país em interromper seu programa nuclear.
A UE, fazendo coro ao Conselho de Segurança (CS) da ONU, avisou o país ontem que aumentará as sanções contra Teerã se o governo persa não obedecer as exigências de suspensão de suas atividades nucleares e retorno às negociações.
Além dos chanceleres europeus, os cinco membros permanentes do CS da ONU -EUA, Reino Unido, França, Rússia e China - mais a Alemanha começaram a discutir ontem a imposição de novas sanções ao Irã devido a seu programa de enriquecimento de urânio.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, que liderou a reunião dos ministros europeus ontem, afirmou que diplomatas do CS da ONU em Nova York já estão escrevendo uma proposta de texto para uma eventual nova resolução punitiva contra o Irã. Em um comunicado conjunto, os ministros europeus disseram que continuarão a apoiar as medidas da ONU contra Teerã.