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Médico faz BO por problemas no PS

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 2 min

Ao chegar para assumir o plantão na noite de anteontem, às 19h, o médico José Carlos Donega Morandini se deparou com uma situação caótica, em sua opinião: nenhuma ambulância estava estacionada no pátio do Pronto-Socorro Central e havia 70 pessoas na espera para serem atendidas por apenas dois médicos plantonistas. Diante disso, ele se recusou a assumir o trabalho e registrou um Boletim de Ocorrência de preservação de direitos. A situação foi negada pelo secretário municipal de Saúde, Mário Ramos.

De acordo com o médico, o acúmulo de fichas de espera foi causado principalmente por uma mudança no sistema de atendimento do Serviços de Atendimentos Móveis de Urgência (Samu), implementado na quinta-feira e, segundo o médico, ainda sem o devido treinamento dos funcionários. “O pessoal não foi devidamente orientado, muito menos a população sabia das mudanças”, afirma.

Agora, ao solicitar o serviço do Samu por telefone, os funcionários precisam seguir um protocolo de atendimento. “É preciso fazer uma série de perguntas, que deixa ainda mais lento o socorro à vítima”, coloca o médico. O leitor do Jornal da Cidade Dirceu Ruiz também reclamou sobre a burocracia do atendimento em uma carta publicada na edição de ontem na Tribuna do Leitor.

Mas, de acordo com Ramos, o sistema informatizado está sendo instalado em todas as bases do Samu do Brasil para regular as urgências. O secretário ainda afirma que todos os funcionários foram convocados a participar de um capacitação sobre o novo sistema.

Morandini também se queixou da retirada das ambulâncias sociais, utilizadas para casos mais simples. “Antes trabalhávamos com duas sociais, duas unidades do Samu e uma USA (Unidade de Suporte Avançado). E agora só contamos com as do Samu”, relata. A retirada das ambulâncias sociais foi explicada por Ramos. “Essas unidades não estão deixando de atender, mas servem para outros fins, como levar um assistente para fazer um exame”.

Sobre a ausência de ambulâncias no pátio do Pronto-Socorro levantada pelo médico, Ramos foi categórico ao dizer que as quatro ambulâncias do Samu trabalharam “a todo vapor”, sem nenhum problema. O secretário ainda afirmou que, em breve, a cidade receberá mais veículos. “Daqui cerca de 40 dias, Bauru terá mais quatro ambulâncias”, adiantou. O secretário anunciou que vai abrir sindicância para apurar se a atitude do médico não se configura como omissão de socorro.

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