Décadas de pesquisas e a certeza de estar no rumo certo colocam o Brasil e, de maneira particular, o estado de São Paulo, no destaque internacional como produtor do biocombustível mais viável econômica e ecologicamente. O etanol como matriz energética limpa e renovável ganha, enfim, seu merecido lugar de importância na contribuição para um mundo melhor. Melhor para os sul-americanos, norte-americanos, europeus, asiáticos e africanos. Melhor para pobres e ricos.
Não é para menos que a crescente euforia pela conversão do combustível brasileiro em commodity global anima empresários do setor sucroalcooleiro em toda a América Latina. É a luz no fim do túnel como recompensa pela persistência em investir em um produto que dependia apenas de uma coisa para dar certo no mundo: entrar na agenda das grandes nações, como acontece agora sob a égide da independência do petróleo. No mais, a lição brasileira havia sido feita. Tecnologia agrícola e industrial avançadas, produção de matéria-prima de qualidade, mão-de-obra treinada para garantir o giro das usinas, décadas de pesquisas de equipamentos que possibilitaram ao nosso álcool acionar motores a combustão com eficiência similar à da gasolina. Tudo havia sido feito, pensando em um projeto de futuro.
E o que era futuro começa virar presente. Mais uma vez, São Paulo e o Brasil provam que estão prontos para contribuir com sua parte pelo avanço do mundo rumo a um modelo energético que comporte o crescimento e a preservação do meio em que vivemos. Em uma palavra, sustentabilidade.
Com esse argumento, o mundo se abre ao nosso álcool, seja como combustível principal para impulsionar veículos seja como aditivo para ecologizar a gasolina. O produto é bom, tem procedência e passou com louvor em todas as provas a que foi submetido. Só faltava o reconhecimento internacional do álcool brasileiro como fonte renovável de energia e alternativa ao petróleo cada vez mais escasso, caro e finito.
Uma lição que São Paulo e o Brasil dão ao mundo é que o etanol tem toda potencialidade de ser o substituto mais inteligente ao uso do petróleo, superando inclusive tecnologias de países mais desenvolvidos, como os Estados Unidos. Outra lição é que o nosso combustível, convertido em commodity, pode ser a ferramenta de união, integração e aproximação comercial dos países americanos, setor em que Alca e Mercosul falharam. Valeu o esforço, porque a recompensa está chegando e vem em dose dupla. Parabéns São Paulo, parabéns Brasil.
O único alerta necessário neste momento é não permitir que a euforia ofusque a razão. O álcool como alternativa energética é um excelente negócio para o Brasil e o mundo. Mas sua aceitação internacional não pode possibilitar que o país descuide das outras fontes energéticas, igualmente viáveis e necessárias. Cabe ao governo brasileiro o papel de manter com sobriedade a pesquisa e o investimento em outras matrizes, para que a lição ao mundo seja verdadeiramente completa.
O autor, Milton Monti, é economista e deputado federal, coordenador geral da bancada paulista no Congresso Nacional