Saúde

Odontofobia

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Você já sentiu um friozinho na barriga ao sentar-se na cadeira do dentista? Para muitas pessoas, o tratamento odontológico representa um verdadeiro martírio, envolvendo sentimentos de ansiedade, nervosismo e até mesmo pavor, fatores que podem comprometer a eficácia do tratamento.

E não são poucos que sofrem da ‘odontofobia’. Estudos indicam que aproximadamente 20% dos pacientes têm medo de ir ao dentista, aponta Flávio Augusto Cardoso de Faria, professor doutor de farmocologia da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB/USP).

Com o objetivo de diminuir o estresse e temor daqueles que suam frio na hora de ir ao consultório, especialistas na área estão desenvolvendo técnicas avançadas para serem utilizadas nos consultórios e lançando mão, também, da psicologia.

Entre as técnicas avançadas destaca-se a sedação consciente ou analgesia inalatória, realizada com óxido nitroso (N2O) e oxigênio (O2). Embora não seja novidade, já que o procedimento é feito há anos nos Estados Unidos e Europa, ele foi introduzido e regulamentado por lei no Brasil recentemente.

O método não dispensa o uso de anestesia local, pois sua função não é controlar a dor, mas, sim, acalmar e tranqüilizar o paciente antes de iniciar o tratamento, esclarece Faria. “A sedação é consciente porque a pessoa está sedada, porém, continua com seus reflexos vitais e responde aos estímulos do dentista”, diz.

Francisco Barata Ribeiro, professor assistente de anestesia e sedação consciente da Associação Brasileira de Ensino Odontológico (Abeno) e na Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban), garante que o método é totalmente seguro, desde que seja administrado por profissionais habilitados. “Isto não deve ser confundido com a sedação profunda, provocada pela anestesia geral”, diz. O professor ressalta que para aplicar o procedimento o dentista deve fazer um curso de 96 horas para capacitação profissional, bem como passar por treinamento em emergências médicas.

A sedação consciente se baseia na mistura do gás N2O com O2 – 50% de cada - por meio de um aparelho especial, o fluxômetro. Segundo Ribeiro, a aplicação do método ocorre de forma gradativa, de acordo com a necessidade do paciente, através de uma máscara nasal. “A analgesia é de fácil aplicação, provocando a redução da ansiedade e estresse causados durante o atendimento odontológico. O método também é muito indicado para pacientes geriátricos e na odontopediatria”, observa.

Para atender o público infantil, a máscara pode ser especialmente decorada com motivos lúdicos, observa Faria. “O intuito é fazer com que elas tenham empatia pelo dentista.” A estudante Júlia Fichio Miyahara, 9 anos, integra o grupo de crianças que têm pavor de ir ao dentista. Todas as vezes que precisa se submeter a um tratamento dentário, fica tensa e amedrontada. “Tenho muito medo do barulhinho”, confessa.

Este sentimento não é exclusivo dos pequenos. Segundo Faria, é muito comum pacientes adultos apresentarem reações de estresse no consultório. O medo, na maioria das vezes, está associado à dor e também ao ruído causado pelos equipamentos odontológicos.

O conhecido motorzinho é um objeto temido para o pastor Carlos César Marquese Camargo, 37 anos, que só vai ao dentista em “último caso”. “É um sufoco. Esse barulho incomoda qualquer um. Além disso, não gosto de agulha, só de olhar, tenho receio”, reclama. Tanto temor se deve a uma experiência traumática ocorrida há algum tempo, no consultório odontológico. “Uma vez fui à dentista e ela aplicou anestesia. Chegou a deslocar o dente, mas não teve força para arrancá-lo. Aí, me receitou um remédio antiinflamatório e eu fui para casa. Fiquei uma semana sentido fortes dores”, conta.

Comentários

Comentários