Saúde

Toques e retoques

Consultoria: Daniela Hueb
| Tempo de leitura: 3 min

Alimentação e fertilidade feminina

Prezado leitor,

Todo o estilo de vida de uma mulher é determinante para a sua capacidade de ter filhos. Desequilíbrios hormonais, doenças sexualmente transmissíveis, alterações no organismo, maus hábitos, como drogas, álcool e cigarro, interferem na qualidade e até na possibilidade de uma gravidez. E é neste contexto de fatores-chave para a fertilidade feminina que a alimentação se torna uma peça fundamental.

Antes da chegada da cegonha, no entanto, é importante investir na preparação do organismo. Nesta fase, assegurar a formação dos hormônios sexuais é primordial. Para isso, basta inserir no cardápio alguns alimentos compostos por gorduras insaturadas, como a castanha, noz, avelã, amêndoa, amendoim, azeite de oliva, azeitona, abacate. Além de auxiliar na sintetização destes hormônios, eles também lubrificam as articulações.

Uma curiosidade: sabe aqueles “pneuzinhos indesejáveis” que aparecem nos flancos e no abdome inferior? Embora muitas mulheres não saibam, eles não aparecem por acaso. Na época do Homo sapiens, quando os homens ainda caçavam para comer, a regra era uma só: nem todos os dias a refeição era farta. Já dizia o velho ditado: “Um dia da caça, outro do caçador”. Pois bem, por conta desta alimentação inconstante, o organismo das mulheres passou a armazenar gordura nestas regiões para nutrir o feto em caso de desnutrição, garantindo assim a preservação da espécie.

Hoje, porém, o que não falta é comida. Pelo contrário, as facilidades em adquiri-la são tão grandes que o sedentarismo passou a ser uma das maiores causas para distúrbios alimentares, como a obesidade. Mas, mesmo diante de tantas mudanças, o organismo feminino não se modificou. Desde aquela época ele foi condicionado a estocar energia para preservar a espécie, o que quer dizer que no período de gestação os cuidados com a alimentação, isto é, a adoção de refeições saudáveis e não tão calóricas deve ser redobrada para evitar o ganho excessivo de peso.

Ainda relacionado ao peso, não é demais lembrar que a obesidade está diretamente ligada à infertilidade, pois o hormônio feminino estradiol fica retido no tecido gorduroso. E a gordura consome muito hormônio, o que torna comprometida a estimulação dos ovários. Conseqüentemente, as mulheres obesas passam a ter problemas com a menstruação, ovulação e, finalmente, com a gravidez. Não é raro encontrar casos de mulheres obesas que conseguiram engravidar com mais facilidade após emagrecerem.

Os alimentos light, que auxiliam no emagrecimento, também dificultam a fertilidade, pois são pobres em gorduras boas, estas de origem vegetal, não industrializadas, que são matérias-primas para a formação dos hormônios sexuais. Elas são encontradas em cereais e grãos, azeite e também em sementes (óleo de girassol, de gergelim, de linhaça), plantas oleaginosas e em frutas, como o abacate.

A ingestão de proteínas também é fundamental para a fertilidade feminina, pois ela é um nutriente básico da vida. Tudo no nosso organismo é formado por proteína. Até os nossos hormônios, como o do crescimento; o glucagon e a insulina secretados pelo pâncreas; os da tireóide e os neurotransmissores, como a serotonina, responsável pela nossa sensação de bem-estar.

Outra função importante das proteínas é a formação das células de defesa do sistema imunológico. Elas também funcionam como “táxis” para transportar algumas substâncias no sangue, como o colesterol. São formadoras de enzimas, que funcionam como “tesourinhas” bioquímicas, que fragmentam substâncias maiores em substâncias menores para serem melhor aproveitadas. Enfim, todo o organismo depende de algum mensageiro protéico para executar alguma função. As proteínas são encontradas nas carnes brancas e vermelhas, nos ovos, queijos, leites, sojas, leguminosas e oleaginosas, entre outros. Se ingerirmos pouca proteína, altera-se também o controle da pressão dos líqüidos corporais, acarretando em edema, que é o inchaço ou retenção de líquidos.

É muito importante todas as pessoas seguirem uma dieta adequada e devidamente elaborada por profissionais especializados para suprir tudo que o organismo necessita para um correto funcionamento. Os alimentos não têm apenas a função de nutrir, mas de atuar na fisiologia ideal do nosso corpo e mente. Eles estando em equilíbrio, ficamos em paz e felizes.

Um grande abraço e até o próximo domingo.

Daniela Hueb

Médica, CRM-SP 96.027

e-mail:danielahueb@jcnet.com.br

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