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Ipiranga é ‘fatiada’ por três empresas

Por Fátima Fernandes | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - A Petrobras, o grupo Ultra e a Braskem anunciaram oficialmente ontem a compra do grupo Ipiranga, que opera nos setores de refino de petróleo, petroquímico e distribuição de combustíveis e fatura R$ 30 bilhões por ano. A empresa foi vendida por US$ 4 bilhões (cerca de R$ 8,4 bilhões). A Petrobras vai desembolsar US$ 1,3 bilhão pela compra; a Braskem, US$ 1,1 bilhão; e o grupo Ultra, US$ 1,6 bilhão - nesse caso, por meio da emissão de 52,8 milhões de ações.

A compra do grupo Ipiranga, que pertencia a cinco famílias, será feita em etapas e deverá ser concluída até o final deste ano. Com o negócio, o grupo Ultra fica com a rede de distribuição de combustíveis da Ipiranga nas regiões Sul e Sudeste e marca a sua entrada nesse setor no Brasil já ocupando a segunda colocação, atrás da BR.

Dos 4.240 postos com bandeira Ipiranga espalhados pelo País, o grupo Ultra fica com 75% deles. A Petrobras assumirá 25% dos postos Ipiranga nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País. Num prazo de cinco anos, a marca será substituída pela marca da Petrobras, a BR, nessas regiões.

O grupo Ultra, novo dono da marca Ipiranga, pode, a partir de cinco anos, se assim desejar, expandir sua rede de postos Ipiranga para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No setor petroquímico, o negócio envolve a Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga (CBPI), a Distribuidora de Produtos de Petróleo Ipiranga (DPPI) e a participação do grupo Ipiranga na Copesul. A Braskem ficará com 60% dos ativos dessas empresas e reforça sua posição no controle da Copesul. A Petrobras ficará com os outros 40% dos ativos.

Na Refinaria Ipiranga, sediada no Rio Grande do Sul, Petrobras, Grupo Ultra e Braskem vão ter participações iguais. As três companhias se comprometeram a dar continuidade às atividades da refinaria. “Essa aquisição representa avanço em um pólo extremamente importante para a petroquímica brasileira, onde a Petrobras pretende ter um papel mais relevante. Isso é um passo a mais de consolidação de grupos econômicos importantes no Brasil, com a presença da Petrobras”, afirmou José Sérgio Gabrielli de Azevedo, presidente da Petrobras.

Negócios triplicados

Pedro Wongtschowski, presidente do Ultra, disse que, com o negócio, o grupo passa a ser dono de duas marcas importantes no setor de distribuição, a Ultragaz e a Ipiranga, e triplica os seus negócios. “De um faturamento de R$ 5 bilhões no ano passado vamos pular para R$ 20 bilhões. A nossa geração de caixa deve aumentar em 75%”, disse ele.

Já a Braskem consolida posição de líder na petroquímica regional e passa a estar entre as dez maiores do mundo. “Isso quando falamos em geração de caixa e EBITDA (lucro antes de despesas financeiras, impostos e depreciações)”, disse José Carlos Grubisich, presidente da Braskem. “Vamos ter um aumento de receita de mais de 40%, passando dos R$ 20 bilhões por ano, e praticamente dobrar nosso EBITDA consolidado, atingindo R$ 3,1 bilhões”, disse Grubisich.

Grubisich afirmou que a Braskem assumiu compromisso em investir no Rio Grande do Sul. “Com essa nova estrutura societária, R$ 700 milhões de novos investimentos serão decididos nos próximos meses para aumentar a produção de polímeros e de matérias-primas básicas.”

Cade

Os representantes da três empresas disseram que não estão preocupados com análise do negócio pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “A divisão do mercado de distribuição de combustíveis nós dá uma certa tranqüilidade na questão da concentração”, afirmou Gabrielli.

Nas contas do presidente da Petrobras e do presidente da Braskem, o grupo Ultra vai ficar com 15% do mercado brasileiro de distribuição de combustíveis com a marca Ipiranga, e a Petrobras, com 37% a 38%, com as marcas BR e Ipiranga.

Para Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura, a operação foi muito bem montada para evitar problemas com o Cade. “O grupo Ultra ficou com 75% do volume vendido pelas duas distribuidoras - a CBPI e a DPPI - e, a Petrobras, com os outros 25%. Essa situação minimiza a concentração, pois a Petrobras, que tinha 32% de “market share’, passa a deter entre 36% e 37%. E o grupo Ultra entra no mercado com 15% de market share, já ocupando a segunda posição no ranking de distribuição de combustíveis.”

Na avaliação de Pires, o Cade precisa verificar os Estados em que mais há concentração na distribuição de gasolina e diesel, “provavelmente na região Centro-Oeste do País”. Para ele, quem ficou com as partes valiosas do grupo Ipiranga foram a Braskem e o grupo Ultra. “A Petrobras entrou para fechar a equação.”

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