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Para dom Odilo, papa interpreta visão da Igreja católica sobre segundo casamento

Folhapress
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Brasília - O novo arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, endossou as palavras do papa Bento XVI contrárias ao fim do celibato dos sacerdotes, ao casamento gay e de divorciados. Dom Odilo disse compreender as críticas às declarações de Bento XVI, mas afirmou que o papa só interpretou a posição da Igreja Católica. “Claro que eu compreendo a dificuldade que existe em compreender a posição, a figura do papa, seu estilo e diversidade de pensamento. Mas ele não poderia deixar de fazê-lo, mesmo quando isso não é compreendido e aceito. A proposta da Igreja é ser fiel ao Evangelho de Jesus. É sempre uma proposta de verdade, liberdade e vida, para o bem da humanidade.”

Segundo o arcebispo, “não está na competência da Igreja mudar o Evangelho”. Ele disse que os fiéis cobram da Igreja Católica posições sobre “questões periféricas, sobre o que pode ou não pode”. Dom Odilo disse que a proposta da Igreja Católica se coloca para “o verdadeiro bem e não aquele bem imediato que não realiza a humanidade”.

Em documento divulgado na semana passada, intitulado “Sacramentum Caritatis” (Sacramento do Amor), o papa reafirmou a importância do celibato para os sacerdotes. “Eu confirmo que (o celibato) permanece obrigatório”, escreveu o pontífice. O papa condenou ainda práticas como o aborto e a eutanásia, e defendeu valores “familiares construídos por meio da união entre homens e mulheres” e da promoção do bem-estar geral - com uma clara condenação ao segundo casamento de pessoas divorciadas.

Segundo o texto de Bento XVI, tais valores “não são negociáveis”, e caberia aos líderes políticos e católicos ter consciência de sua responsabilidade perante a sociedade, propondo e apoiando leis que sejam inspiradas “na natureza humana”.

O documento foi o segundo escrito por Bento XVI depois da divulgação, em janeiro de 2006, de sua primeira encíclica, “Deus caritas est” (Deus é amor). O documento de 131 páginas, destinado a bispos e aos cerca de 1,1 bilhão de católicos em todo o mundo, faz parte da vigorosa campanha do pontífice para garantir o cumprimento dos ensinamentos da igreja.

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