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Alimentos gordurosos ‘enganam’ o cérebro

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O consumo de gordura sempre esteve associado a vários problemas de saúde, como aumento do colesterol, diabetes e hipertensão arterial, entre outros. No entanto, uma pesquisa recente constatou que até o cérebro é afetado pela presença de placas de gordura no sangue.

Segundo estudo feito pela Universidade de Campinas (Unicamp), a gordura presente nos alimentos impede que os hormônios que dão a sensação de saciedade sejam reconhecidos pelo cérebro. Dessa forma, o organismo não recebe o “aviso” de que é hora de parar de comer, permitindo, assim, que a pessoa exagere na quantidade.

A saída, segundo a nutricionista Cinthya Maggi, é uma só. É preciso evitar o consumo de alimentos ricos em gordura e optar por uma dieta balanceada.

De acordo com o médico Bruno Geloneze, que apresentou a pesquisa no Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, no fim do ano passado, em Recife, durante as refeições o aparelho digestivo libera hormônios que agem no cérebro e são os responsáveis pela sensação de saciedade.

Quando existe muita gordura circulando pelo organismo, a percepção desses hormônios fica prejudicada, e a pessoa come mais do que o necessário e engorda. A situação fica ainda mais complicada quando o consumidor de alimentos gordurosos leva uma vida sedentária.

A má alimentação associada à falta de atividade física é responsável por 90% dos casos de obesidade, segundo o endocrinologista Flávio Gerdulo Miano. A ingestão de alimentos inadequados ou muito calóricos pode ser um reflexo tanto do hábito alimentar equivocado quanto de fatores psicológicos.

Existem pessoas que comem desesperadamente e de forma errada quando estão nervosas ou quando se sentem rejeitadas, entre outros sintomas. A comida é encarada como uma fuga ou uma forma da pessoa se acalmar.

Mesmo quando a obesidade é resultado de fator genético, é possível reverter a situação com uma dieta equilibrada e exercícios diários. De acordo com Miano, tudo vai depender do estilo de vida que a pessoa leva.

Ele comenta que uma parcela da população culpa a tireóide pelos quilos a mais, mas não é bem assim. “O ganho de peso provocado pela tireóide é leve. Ela não justifica a obesidade em uma pessoa”, garante Miano.

Responsável pelo controle do metabolismo, entre outras funções, a glândula pode sim apresentar distúrbios que levam ao ganho de peso, mas poucos quilos. Algo que pode ser contornado com uma alimentação saudável e exercícios físicos.

Tripé

Os remédios, segundo o endocrinologista, nunca devem ser ministrados isoladamente. Ou seja, eles sozinhos não resolvem o problema da obesidade, pelo menos não de uma forma saudável. Quando o uso de medicamentos se mostra necessário, ele deve ser acompanhado de uma alimentação balanceada e atividade física. “Os remédios têm de servir como um tratamento auxiliar”, recomenda Miano. Junto com a alimentação e os exercícios, eles formam um tripé: um se poiando no outro para que haja um equilíbrio e o resultado seja positivo.

Segundo o endocrinologista, o tratamento à base de remédio só é adotado quando a alimentação e os exercícios não estão resolvendo. Somente nos casos de obesidade mórbida, quando o indivíduo está 45% acima de seu peso normal, o tratamento é feito à base de remédio desde o início.

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