Nova York - Os 15 membros do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovaram por unanimidade na tarde de ontem novas sanções ao Irã pela manutenção de seu programa nuclear. O pacote de sanções, que tem como objetivo coibir o enriquecimento de urânio do Irã, foca a exportação de armas, as ações do banco estatal Sepah e o comando de elite da Guarda Revolucionária do país.
A votação não contou com a presença do presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad, que defende o caráter pacífico de seu programa nuclear, alegando que as autoridades americanas demoraram intencionalmente na entrega de vistos para sua delegação. Os dois países muçulmanos do CS, Indonésia e Qatar, uniram-se ao consenso sem deixar de expressar certas reservas. “Nós nos sentimos profundamente entristecidos de que o conselho seja obrigado a adotar a resolução”, afirmou o embaixador do Qatar, Nassir Abdulaziz Al Nasser, manifestando seu temor quanto às “prováveis conseqüências”, devido à “volátil situação” na região.
Sanções
Os principais países que redigiram o texto da nova resolução - EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha - chegaram anteontem a um acordo. Para conseguir o apoio da África do Sul, da Indonésia e do Qatar (que ocupam cadeiras rotativas do CS da ONU), foi discutida no texto a importância de um Oriente Médio livre de armas de destruição em massa e destacado o papel da Aiea (Agência Internacional de Energia Atômica).
As negociações foram intensas para que uma votação unânime fosse alcançada. As novas medidas são um incremento das sanções decididas em 23 de dezembro de 2006, que baniam o comércio de materiais nucleares e mísseis balísticos com o Irã, além do congelamento de bens de indivíduos e instituições ligados ao programa nuclear iraniano.
Segundo a Aiea, o Irã não apenas desobedeceu as exigências da ONU contidas na resolução anterior como ainda expandiu seu programa de enriquecimento de urânio. Apesar de a comunidade internacional acusar o país de visar à obtenção de armas nucleares, a Aiea nunca conseguiu definir categoricamente o objetivo do programa iraniano.
Especula-se que a resolução de ontem afete a economia iraniana, mas deixe intocada a indústria do petróleo do país - entre as cinco maiores do mundo. O embargo inclui todas as armas convencionais que o Irã pode vender e congela os bens internacionais do Banco Sepah (o que os EUA já fizeram), isolando a instituição de financiamentos internacionais.
Na última sexta-feira, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, cancelou uma esperada visita a Nova York, onde ele deveria se dirigir aos membros do CS da ONU antes da votação das novas sanções.
Segundo membros do governo iraniano, a visita foi cancelada devido ao atraso -que acusam de proposital - na entrega dos vistos de entrada nos Estados Unidos aos membros da delegação persa. Em seu lugar, é aguardado o ministro do Exterior iraniano, Manouchehr Mottaki, que deverá defender frente aos membros do conselho o enriquecimento de urânio de Teerã.
O Irã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos e visa a obtenção de energia.