Encontrar notas de R$ 1,00 no bolso está cada vez mais difícil. Há cerca de dois anos, a quantidade de cédulas desse valor disponível no mercado representava 70%, contra 30% de moedas. Atualmente, segundo informações da assessoria de imprensa do Banco Central (BC), esses números se inverteram.
Na tentativa de baixar custos, a instituição está reduzindo a emissão dessas notas, pois elas duram bem menos do que o dinheiro de metal. Enquanto o tempo útil de vida das cédulas de R$ 1,00 é de até um ano, o das moedas pode chegar a três décadas.
Segundo o BC, cerca de 80% do custo de fabricação das notas de R$ 1,00 corresponde à reposição das cédulas que se deterioram antes do prazo previsto. Pelo fato dessas cédulas passarem pelas mãos de muitas pessoas num curto período de tempo, são estragadas com mais rapidez.
Por conta desse cenário, o banco lançou exatamente nesta semana uma campanha de incentivo ao uso do dinheiro de metal. O objetivo é mobilizar a sociedade para ajudar na prevenção e combate à falsificação de dinheiro, estimular o uso de moedas - que têm custo de produção mais baixo - e o cuidado com o manuseio de cédulas em papel.
Em Bauru, muitos comerciantes não vêem há tempos as notas verdes de R$ 1,00. Quando conseguem essas cédulas, têm de aceitá-las em condições precárias.
“Elas vêm bem sujas e às vezes rasgadas”, comenta Édson Hiroyoshi Matusuoka, proprietário de uma lanchonete na avenida Rodrigues Alves.
Ele conta que as notas de R$ 1,00 e moedas em geral só não são mais escassas em seu estabelecimento porque vende sorvetes que custam exatamente R$ 1,00. Além disso, ele tem o hábito de reservá-las para momentos de necessidade. “O jeito é segurar, senão, quando é preciso voltar algum troco, a gente fica na mão. O pessoal não gosta de carregar moeda no bolso”, completa.
Matusuoka diz que é comum “socorrer” muitos vizinhos que conhecem seu hábito de guardar cédulas de R$ 1,00 e moedas. “Quando precisam de algum troco, recorrem a mim”, acrescenta.
Hábito
O comerciante tem razão quando se refere ao hábito do brasileiro. Segundo o Banco Central, 12 bilhões de moedas de todos os valores deveriam estar no mercado, de acordo com a produção da instituição. Porém, grande parte fica engavetada na casa dos consumidores, fazendo com que menos de 6 bilhões delas estejam em circulação.
As dificuldades com a escassez de moedas de todos os valores e notas de R$ 1,00 também são enfrentadas pela vendedora Adriana Okamura Diogo, dona de uma revistaria no Centro de Bauru.
“A maior parte das cédulas de R$ 1,00 que recebo vem estragada, às vezes até faltando pedaço”. Ela diz que já pensou em recusar o dinheiro, mas para não constranger o cliente, aceita e depois faz a troca no banco.
Adriana ressalta que costuma reservar notas e moedas de R$ 1,00 para não correr o risco de “ficar na mão” quando precisa restituir o consumidor. “A falta dessas cédulas só não é maior porque muitas revistas que vendemos custam esse valor. Entretanto, não são raras as vezes que os clientes pagam com notas de R$ 10,00”, relata.
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R$ 386,38 milhões
Em quantidade despejada no mercado, atualmente as cédulas em papel de R$ 1,00 estão em quarto lugar, ficando atrás das notas de R$ 50,00, R$ 10,00 e R$ 2,00 respectivamente.
Informações atualizadas até ontem no site do Banco Central mostram que, no momento, existem 386.382.591 notas de R$ 1,00 (ou R$ 386,38 milhões) em circulação no País. Exatamente no dia 29 de março de 2005, a quantidade era bem maior: 629.417.382 cédulas de R$ 1,00.
Naquele mesmo dia de 2005, havia 4.428.575.768 moedas em circulação, somando as de todos os valores (R$ 0,01, R$ 0,05, R$ 0,10, R$ 0,25, R$ 0,50 e R$ 1,00). Ontem, o site do BC mostrava o volume de 6.405. 959.855, comprovando, em ambos os casos, a meta da instituição de reduzir a emissão de notas de R$ 1,00 e aumentar a produção de moedas.