A Polícia Federal (PF) de Bauru investiga uma suspeita de golpe contra trabalhadores do município e região que, através de um escritório de advocacia, requisitaram benefícios ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), como aposentadoria e auxílio-doença. Eles pagaram pelo serviço, mas a empresa não teria cumprido o acordo de cuidar de todo o trâmite para a solicitação e liberação dos recursos.
Quem recebia o benefício tinha que pagar mais de 20% do valor total liberado. Segundo a PF, a negociação era feita com João – o nome completo não foi divulgado para não prejudicar as investigações –, que dizia ser advogado. Ontem, a PF apreendeu uma série de documentos no escritório de João, que funciona na rua 1.º de Agosto.
Ninguém foi detido, segundo o delegado da PF Oscar Luiz Torres, que comandou a operação. De acordo com ele, entre a documentação apreendida estão carteiras de trabalho, exames médicos, processos de aposentadorias e auxílios-doença. O material será entregue ao INSS para averiguação.
O delegado explica que as vítimas parcelavam o custo do serviço. Uma delas, inclusive, chegou a pagar três mensalidades de R$ 300,00 cada uma. “Eles pegavam o dinheiro das pessoas prometendo benefícios previdenciários. No entanto, não conseguiam obtê-los e não davam satisfação aos clientes”, ressalta o delegado.
Ele explica que após receber do trabalhador, a empresa agendava o exame médico para obter a declaração de incapacidade para o trabalho. Em seguida, um funcionário do escritório acompanhava o cliente até o INSS. “O interessante é que eles utilizavam radinhos (radiocomunicadores) para se comunicar, o que nos causa bastante estranheza”, ressalta o delegado.
Torres acredita na hipótese de que os rádios são clandestinos, já que o uso de radiocomunicadores tem que ter autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). “Vamos apurar essa suspeita encaminhando o material à Anatel para saber se essas pessoas estão autorizadas a utilizá-los. Mas provavelmente não estão porque não nos apresentaram nenhum documento”, completa.
Ainda conforme o delegado, o rapaz apontado pelas vítimas como negociante do serviço tem antecedentes criminais por estelionato, apropriação indébita, falsa identidade e operação de rádio-pirata. Se as irregularidades forem confirmadas, será aberto inquérito policial para o aprofundamento das investigações. João, citado como autor da negociação, foi procurado pela reportagem, mas não foi encontrado.
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Cuidado
Josué Lopes Moreira, gerente-executivo do INSS em Bauru, alerta os segurados a tomar cuidado ao recorrer a serviços de terceiros para solicitar benefícios no órgão. Isso porque, além de pagar as taxas pela prestação de serviços, há risco de serem vítimas de estelionato.
O segurado pode solicitar benefícios do INSS diretamente no órgão. Já o delegado Oscar Luiz Torres, da Polícia Federal, orienta as pessoas que tenham sido lesadas em situações semelhantes a procurar a PF. Ele ressalta que a solicitação de benefícios deve ser feita diretamente no INSS. “Não é obrigatória a assistência de um advogado. A pessoa deve procurar o INSS diretamente”, acrescenta.