Os atos de vandalismo despontam como o segundo tipo mais comum de violência nas escolas paulistas. Perdem apenas para a agressão verbal, segundo pesquisa realizada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). O trabalho, elaborado no final do ano passado em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico (Dieese), ouviu 684 profissionais do Estado.
Eles apontaram elementos que tanto a categoria quanto a sociedade já conhecem há muito tempo, mas com base em experiências pessoais. Entre os dados, estão a grande incidência de conflitos entre alunos, as agressões físicas, o tráfico de drogas dentro dos estabelecimentos de ensino e até casos de estudantes que entram armados na escola.
Todas essas ocorrências já foram presenciadas por uma aluna de 14 anos matriculada numa escola estadual da Vila São Paulo e que terá o nome preservado, conforme solicitou. Ela mesmo brigou verbalmente com um professor. Já sua amiga foi transferida de escola após apanhar de outra garota durante o horário letivo.
“Vi meninos usando droga no banheiro. Mas a diretora pegou, deu suspensão e acabou. Teve uma vez, que um menino da noite (período noturno) entrou armado para brigar com outro da manhã. Um outro também tacou uma cadeira na professora”, conta. Porém, comum mesmo, de acordo com a estudante, são os casos de pichação.
Pichação
Segundo a própria a dirigente regional de ensino, Vera Nilce Jarussi Gomes de Sá, cerca de cinco ou seis ocorrências do gênero são registradas mensalmente. “As escolas pintam (os muros), dois ou três dias depois já estão pichados. Fizemos um trabalho com os alunos. Muitos se conscientizam, outros não”, comenta o Raeder Adilson da Silva, soldado da Ronda Escolar da Base Noroeste da Polícia Militar.
Ele explica que, quando os autores são reconhecidos, normalmente são estudantes da instituição. Não à toa, as grades tornaram-se item inerente à “arquitetura” das escolas. Se elas não existissem, as invasões seriam ainda mais freqüentes, admite a coordenadora da Apeoesp subsede Bauru, Maria José Oliveira dos Santos.
De acordo com ela, está sendo realizado um árduo trabalho envolvendo a comunidade e a escola. Quando as pessoas passam a gostar da instituição, trabalham para protegê-la e preservá-la. É essa a meta dos profissionais, acrescenta Santos.
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Ameaças
A pesquisa realizada pelo sindicato dos professores indica que 74% deles conhecem colegas que foram ameaçados dentro da escola. Outros 68% sabem de ocorrências referentes a alunos sob ameaça. Ao todo, 82% apontam as agressões físicas como o tipo de violência mais comum nas escolas.
A realidade oficial em Bauru, porém, desmente números tão altos. Os casos relatados tanto à Direção Regional de Ensino quanto à subsede da Apeoesp são raros, para não dizer inexistentes. Ocorre que a reportagem apurou uma suposta recomendação para que as ocorrências não sejam registradas, mas contornadas internamente.
Para alguns professores, a situação seria tão grave que a permanência deles em sala de aula seria impraticável, principalmente por conta das agressões verbais. Mas nem casos mais graves como tráfico de drogas dentro da escola são comunicados a Apeoesp, segundo confirmou a coordenadora da subsede local, Maria José Oliveira dos Santos.