Tribuna do Leitor

Barbosa, uma carreira de sucesso


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Qual a primeira coisa que se precisa para se destacar em qualquer segmento da sociedade - talento. O talento corresponde com 70% do necessário, 20% é força de vontade e 10% é sorte. Bem, Barbosa tinha a primeira, que é a mais importante, a segunda ele correu atrás e a terceira, quando o cavalo passou selado ele não titubeou, montou, e está aí o técnico mais longevo e um dos mais talentosos que o Brasil já conheceu.

Barbosa surgiu para o basquetebol sob o comando de Raduan Trabulsi, que lhe transmitiu os primeiros conhecimentos, desse que é considerado um dos mais perfeitos e difíceis esportes de serem praticados.

Ele mesmo diz que não foi um bom jogador, mas com certeza nascia ali sentado no banco de reservas da seleção de Bauru um observador que se tornaria o grande técnico que é hoje. Eu mesma fui sua jogadora durante 10 anos na Luso e no BTC e juntos fomos campeões pan-americanos em Cali, na Colômbia, em 1971, e sul-americanos no Peru, em 1972, jogando pelo Brasil. Iniciou ali sua carreira como assessor técnico de Valdir Pagan.

Do Barbosa posso falar de cátedra. Aquele jovem rapaz que começou dirigindo as meninas do colégio “Ernesto Monte” sem ter muitas referências porque tudo era muito difícil na época, sem a televisão que hoje é a grande divulgadora dos esportes, restando apenas rádios e jornais correu atrás de seus sonhos. Não se intimidava em perguntar, de pegar ônibus e ir para São Paulo assistir jogos, saber as novidades em termos de tudo sobre o basquetebol.

Enfim, um estudioso com uma memória prodigiosa, que sempre se atualiza, inclusive em clínicas nos Estados Unidos. Será que alguém tem idéia do que são vinte anos comandando a seleção brasileira feminina de basquete? Será que alguém tem idéia do que é comandar Hortensia e Paula, consideradas as melhores jogadoras do mundo?

Ou comandar estrelas com personalidades diferentes, com egos inflados que não gostam de ser contrariados? Será que alguém tem idéia do que é disputar cinco campeonatos mundiais, cinco pan-americanos, nove sul-americanos, duas olimpíadas, inclusive, com uma medalha de bronze em Sidney, na Austrália, em 2000? Aliás, é o único medalhista olímpico de Bauru e acho que será o único a participar do Pan-americano do Rio em julho. Aqui eu só enumerei os campeonatos importantes com a seleção brasileira adulta pois falta os juvenis e os inúmeros títulos com os clubes. Só na seleção adulta são 420 jogos com 350 vitórias. É pouco ou querem mais?

Por que estou escrevendo tudo isso? É simples, pois como sua ex-atleta não sinto que ele seja reconhecido o suficiente pela nossa cidade. Sabe aquele ditado antigo que diz que “santo de casa não faz milagre”? Parece que é isso que acontece. Se esse cara tivesse nascido num país de primeiro mundo como os Estados Unidos, por exemplo, que dão valor àqueles que se destacam, ele seria referência em tudo dentro de sua cidade. Com certeza lhe seria estendido um tapete vermelho por onde ele passasse, como é feito quando ele vai dar palestras por esse Brasil afora. Será que sucesso e talento incomodam tanto assim? Gente, o Barbosa é nosso, nasceu aqui, é prata da casa e nossa maior celebridade do momento. Quando o vejo dando entrevistas pela TV sinto o maior orgulho e penso, pôxa, eu fui sua atleta e hoje sou sua amiga.

Barbosa, sua história de vitórias está escrita e isso ninguém apaga. O talento é seu e isso ninguém tira. Sucesso no Pan-americano no Rio, pois apesar das dificuldades que com certeza irá encontrar, siga em frente pois você sempre soube tirar leite de pedras.

Jacy Guedes de Azevedo - ex-atleta da seleção brasileira de basquetebol

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