Polícia

Ouvidoria da Polícia vê indícios de execução no caso ‘Jorginho’

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo vê indícios de execução no caso do mecânico Jorge Luiz Lourenço, 22 anos. Há dez dias, ele foi atingido na cabeça por um projétil disparado pela Polícia Militar (PM) durante uma fuga. Os protestos e a comoção popular decorrentes da ocorrência trouxeram para Bauru o ouvidor interino, Julio Cesar Neves.

Ontem, ele não só ouviu os relatos sobre o caso da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção Bauru, como também os da família do mecânico. Chamou a atenção, por exemplo, a informação de que o rapaz teria sido enterrado com o rosto desfigurado.

Por conta da mesma denúncia, o delegado do 2º Distrito Policial (DP), Marcos Cremonesi, solicitou ao Núcleo de Perícias Médico-Legais a exumação do corpo de “Jorginho”. O objetivo é verificar se o rapaz foi agredido antes de morrer. Segundo o diretor do Instituto Médico Legal (IML), Ivan Segura, o corpo será desenterrado ainda nesta semana.

Ministério Público

As circunstâncias do homicídio também devem ser acompanhadas por um representante do Ministério Público. “Estamos encaminhando hoje (ontem) para o procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Rodrigo Pinho, ofício para que ele determine um promotor para acompanhar o inquérito policial. Há indícios de excesso. Não vimos até agora nada que prove que ele (o mecânico) deu um tiro ou que tivesse com posse de drogas. E mesmo assim não justificaria (a morte)”, explica Neves.

De acordo com ele, dos três policiais envolvidos na ocorrência, apenas um não teria efetuado disparos. Já os outros dois, dispararam de três a quatro vezes.

“Nós aproveitamos a presença do ouvidor aqui para reiterar o pedido de que os policiais sejam afastados das atividades. Para dar transparência às investigações, não podem ficar nem em trabalhos administrativos”, diz o coordenador da Comissão de Direitos Humanos, Gilberto Truijo.

Porém, segundo Neves, trata-se de uma solicitação sempre encaminhada e já solicitada ao comandante-geral da PM, coronel Roberto Antonio Diniz.

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Confiança e cautela

A presença da Ouvidoria em Bauru deixou os familiares de Jorge Luiz Lourenço, 22 anos, mais confiantes. “As investigações serão feitas conforme prevê a lei”, diz Jorge Lourenço, pai do mecânico. Já para a PM, a posição é de cautela.

O comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), tenente-coronel Pedro Batista Lamoso, reitera que já existem dois inquéritos apurando o caso, um militar e outro civil. Além disso, a PM solicitou o acompanhamento da OAB e do Ministério Público (MP). “Estamos ouvindo várias pessoas e aguardando laudos”, conclui.

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Versões diferentes do caso

A versão de parentes e amigos do mecânico não coincide com a da PM. De acordo com eles, Jorge era trabalhador, nunca portou arma, não tinha qualquer envolvimento com entorpecente, nem antecedentes criminais.

Já segundo relato dos policiais, o motociclista foi baleado durante confronto. Com ele, a PM informa que encontrou um revólver calibre 38 com numeração raspada e seis munições, sendo que três teriam sido deflagradas contra a PM. Nenhum policial ou viatura, no entanto, foi atingida. Também teriam sido localizadas cinco pequenas pedras de crack a cerca de 30 metros de onde a moto dele caiu.

Jorge pilotava uma Falcon vermelha que, segundo a PM, estava com a placa virada. Ele fugiu do bloqueio policial em alta velocidade porque estava sem habilitação e com o documento do veículo vencido, segundo a família.

Da Redação

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