Nacional

‘Furacão’: polícia ainda ouve acusados e OAB vai ao STF

Por Da Redação | Com Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - A Polícia Federal (PF) ouviu ontem três dos oito acusados que ainda não haviam sido interrogados por suposta participação em esquema de corrupção desvendado pela Operação Hurricane (furacão, em inglês), deflagrada na última sexta-feira. A operação prendeu 25 pessoas - destes, 17 foram ouvidos no final de semana.

Os depoimentos dos cinco restantes serão retomados hoje. A fase de tomada de depoimentos não foi encerrada ontem para que os advogados tenham tempo de ter acesso aos autos. Dessa forma, a PF pretende conseguir uma maior colaboração dos acusados, que vem optando pelo silêncio sob a alegação de que não têm conhecimento do processo.

A PF não divulgou os nomes dos presos que prestaram depoimento ontem, bem como os que ainda não se pronunciaram. A ordem é evitar vazamento de informações, uma vez que o processo corre em segredo de Justiça. A reportagem apurou que o vazamento do vídeo mostrando os agentes encontrando dinheiro na casa de um dos bicheiros causou mal-estar na PF.

O que foi apreendido

A PF divulgou ontem os valores e bens apreendidos durante a Operação Hurricane: R$ 10 milhões em dinheiro, R$ 5 milhões em cheques, US$ 300 mil, 34 mil euros e 400 libras. Também foram retidos 51 carros. O mais caro, uma Mercedes-Benz CLK 500, está avaliado em R$ 550 mil. A Polícia Federal informou que o dinheiro está depositado na Caixa Econômica Federal.

A PF também apreendeu 25 armas nos endereços dos suspeitos de integrarem a organização criminosa: 18 pistolas semi-automáticas e sete revólveres. Não há informações sobre a quem pertencem as armas. Também foi apreendida muita munição, segundo um dos agentes ligados ao caso.

Prisões

Os 25 presos estão divididos em sete celas. A PF procurou não colocar na mesma cela bicheiros e desembargadores para evitar que eles combinassem versões sobre as denúncias que prejudiquem as investigações. A superintendente da PF, em Brasília, Walquíria Souza, rechaçou as críticas dos advogados dos presos, especialmente dos três magistrados e dos advogados, de que eles não estão recebendo o tratamento a que têm direito. Ela explicou que existe um padrão na Superintendência da PF que é seguido por todos os presos, “independentemente de ser juiz, todo mundo é tratado igual”.

Walquíria contou ainda que quando foi comunicada da vinda dos presos para Brasília teve que transferir 30 presos para abrir espaço na sede da PF e comprar colchões de última hora para receber os acusados. “Todos foram tratados com dignidade, tiveram direito a café da manhã, puderam telefonar para parentes e receberam visita dos advogados às 10h”, afirmou. “É impossível que os desembargadores tenham direito a uma única cela, Os advogados podem até requerer, mas é inviável fisicamente.” Segundo ela, os presos são ouvidos por meio de um vidro, não existe contato físico com advogados e familiares.

OAB

Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediram ontem para o Supremo Tribunal Federal (STF) interceder junto à Polícia Federal para que os advogados dos presos na operação tenham melhores condições de trabalho. A OAB reclama que os advogados estão sendo impedidos de ter acesso aos autos dos processos, além de não estarem autorizados a conversar individualmente com seus clientes. “Não há democracia se não há garantia do direito de defesa. Nós não podemos mais permitir no Brasil que o advogado não tenha acesso ao preso”, criticou o presidente nacional da OAB, Cezar Britto.

O presidente da OAB se reuniu com a presidente do STF, ministra Ellen Gracie, e com o ministro Cezar Peluzo -que autorizou as prisões efetivadas pela PF na Operação Hurricane. Britto encaminhou petição ao tribunal na qual solicita que os advogados sejam transferidos para salas especiais para os encontros com os clientes e tenham acesso a todos os processos de investigação. “Fizemos uma solicitação técnica ao ministro relator (Peluzo) que assim assegurasse. Toda orientação do STF é que o advogado tem que ter acesso aos autos. Não há sigilo para os advogados”, enfatizou Britto.

Corporativismo

Britto negou que a OAB esteja atuando de forma corporativista para defender os interesses dos desembargadores e advogados presos na megaoperação da PF. Entre os presos pela Polícia Federal, estão dois desembargadores do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, José Eduardo Carreira Alvim e José Ricardo de Figueira Regueira. “Essa história de que a Justiça para uns é uma e para outros é outra, a Ordem sempre foi contra”, rebateu. O presidente da OAB disse que a instituição quer apenas garantir que a Constituição Federal seja cumprida no que diz respeito às condições de trabalho dos advogados. O ministro Peluzo se comprometeu a analisar a petição encaminhada pela OAB. Antes de respondê-la, vai ouvir a versão da Polícia Federal sobre as condições de trabalho dos advogados dos presos.

Comentários

Comentários