Auto Mercado

Moto flex

Por Cristiane Bonin Barcella | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 5 min

A Delphi Automotive Systems desenvolveu em seu Centro de Tecnologia, em Piracicaba, o primeiro motor bicombustível do mundo para motocicletas, novidade que deve chegar ao consumidor em meados de 2009. Na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a tecnologia piracicabana foi lançada durante a 8ª (Feira Internacional de Autopeças, Equipamentos e Serviços (Auto-mec). Delphi é uma das empresas pioneiras na criação de bicos injetores para aplicação nos automóveis flex fuel e no desenvolvimento da mesma linha tecnológica de bicombustíveis para veículos comerciais.

Batizada de Multifuel, a tecnologia multicombustível que ficou em exibição no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na cidade de São Paulo, foi vista por 95 mil visitantes, entre brasileiros e outros interessados oriundos de 75 países. A mostra foi encerrada no sábado, dia 14, e congregou 1.350 expositores, sendo 950 nacionais e 400 estrangeiros de aproximadamente 30 países, como Alemanha, Argentina, Estados Unidos, Espanha, Itália, China e Taiwan.

A mostra, além das autopeças, também trouxe máquinas e equipamentos para oficinas mecânicas, retíficas e concessionárias, componentes para lubrificação, ferramentas e aparelhos de diagnósticos automotivos, entre outros lançamentos. Mas o que mais atraiu as atenções na feira foi mesmo a moto bicombustível.

O sistema de gerenciamento de motor, responsável por identificar qual o combustível é usado, foi inteiramente desenvolvido pelo CT de Piracicaba, durante mais de um ano. Como nos carros bicombustíveis, os motociclistas também terão a opção de escolha para abastecer seus veículos com quaisquer proporções de álcool e gasolina.

A novidade promete economia de até 30% por quilômetro rodado. Mas o consumidor terá que esperar ainda. A previsão para que o motor esteja disponível vai depender das montadoras, pois são elas que vão colocar a motocicleta no mercado. Os testes foram feitos em protótipos das marcas Yamaha, Honda, Sundown.

”A Delphi desenvolve tec-nologias para combustíveis renováveis no Brasil e pretende exportar os conceitos para todo o planeta. Somos mais de 320 engenheiros focados em criar novas tecnologias em nosso país”, afirma o diretor de engenharia da Delphi Américado Sul, Roberto Stein.

O gerente de uma empresa de mototáxi na cidade, Edson Henrique de Morais, morador no bairro Paulicéia, aprova a idéia. “Já transformei a minha manualmente para álcool, mas o desgaste do tanque e do carburador é muito grande. Assim que sair a moto (bicombustível) eu vou comprar”, afirma. Marcelo Clemente, pintor de autos, residente no Jardim Campestre, também se animou com a idéia.

A aceitação parece boa, mesmo sem que esteja definido o preço final dessa moto bicombustível. A informação da Delphi é que a novidade tenha um valor superior ao das motos com motor convencional. Como ocorreu quando foram lançados os carros bicombustíveis, a previsão para que o preço se equipare aos demais modelos é de um ano.

“Até 2009 ou no começo de 2009, as motos já devem estar circulando. É uma previsão e ainda não se sabe qual montadora fará esse lançamento, e se mais de uma estará nessa linha de frente”, informa Stein. Sem divulgar o valor dos investimentos para o novo motor, a empresa informa que o projeto recebeu parte dos US$ 30 milhões (R$ 60,84 milhões) destinados anualmente às unidades da multinacional no País.

Diversas partes que entram em contato com o combustível foram alteradas para operar tanto com álcool como com gasolina. Assim, a combinação mercado e meio ambiente se transforma em oportunidades para a Delphi. “O mundo pede por combustíveis renováveis e por soluções que não afetem o clima. A Delphi apresenta sua solução para o mercado de duas rodas, que hoje fabrica mais de um milhão de unidades por ano no Brasil”, informa o presidente da Delphi na América do Sul, Gábor Deák.

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Padrão

O padrão Delphi Automotive Systems para oficinas mecânicas se transformará em uma rede de atendimento ao consumidor final, com as primeiras unidades previstas para entrarem em funcionamento no mês de junho desse ano. O programa, intitulado Box Delphi, será uma opção em serviços para o mercado de reposição. As informações são da supervisora de planejamento estratégico da Delphi Soluções em Produtos e Serviços para a América do Sul, Simone Strimber.

Segundo ela, as cidades que receberão as oficinas especializadas ainda não estão definidas e uma lista de pretensos profissionais está sendo montada a partir da abertura 8.ª Automec. O modelo de oficinas da Delphi será o de integração da rede de relacionamento com padrão de identificação completo e alto nível de suporte nos processos internos.

“O Box Delphi é um conceito de oficina. A empresa vai escolher em algumas regiões oficinas que tenham o perfil do conceito do projeto. Nós vamos passar todo o conhecimento em tecnologia da Delphi e os donos de oficinas serão nossos parceiros. O objetivo é treinar o instalador para ele atender o seu cliente cada vez melhor. Inclusive, o treinamento compreende, também, a parte gerencial e marketing. A gente quer trazer mais negócios para essas oficinas”, informa Simone Strimber.

Para chegar a desenvolver um modelo de oficina, uma pesquisa foi realizada em todo o Brasil. Nela foi constatado que o mercado de reposição automotivo está crescendo e gerando novas oportunidades. Outro dado levantado é que cerca de 80% da frota circulante no País é cliente de uma oficina independente e a maioria alega falta de uma rede de serviços como o novo conceito oferecido pela Delphi. ”Em função da estrutura do mercado de reposição nacional, os reparadores são os principais responsáveis pela escolha e aplicação das peças nos veículos. Dessa forma, entendemos que a influência das oficinas é determinante para o sucesso de qualquer indústria que participa do segmento de reposição no Brasil”, afirma Edson Brasil, vice-presidente da Delphi Soluções em Produtos e Serviços para a América do Sul.

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