Os ovos de galinha fazem parte do prato diário de muitos brasileiros. Mas há cerca de dois meses, comer bife a cavalo ou um simples ovo frito ficou até 20% mais caro. Uma dúzia de ovos brancos que chegava a sair por R$ 1,69, hoje está custando em média R$ 1,99 em uma rede de supermercados da cidade. Os fornecedores indicam que uma série de fatores fez com que o produto encarecesse, mas esperam que em até 20 dias os preços se regularizem.
Segundo Sebastião Kami Mura, da Granja Shintako, a alta teve como um dos responsáveis a baixa produtividade. Nos últimos dois meses o descarte de galinhas poedeiras foi grande, já que essas aves têm um tempo médio de produção de um ano e meio.
Acompanhando a troca das galinhas veio o aumento dos custos de comercialização dos produtores motivado pelas altas nos preços das rações, energia elétrica e combustíveis. Segundo Kami Mura, galinhas velhas ou novas demais botam em menor quantidade, e aliado a isso, os produtores reduziram a quantidade da produção de ovos para ter menos prejuízo. Assim, a lei de mercado entra em ação: menor oferta, maior preço.
O produtor de ovos orgânicos Renato Walter Streger indica que a alta do milho foi o principal fator para que os preços dos ovos subissem. A saca de 60 quilos passou de R$ 13,00 para R$ 21,00 (alta de 61,5%). A dúzia de ovos orgânicos, que era vendida ao consumidor a R$ 3,50, passou para R$ 4,00 - aumento de R$ 14,2%.
Essa “entressafra” ainda gera a redução do tamanho dos ovos, que passam, na maioria das vezes, de 50g a 59g para algo em torno de 45g a 49g. A queda no peso dos ovos, porém, não indica diminuição da qualidade do produto, de acordo com donos de granja.
Ração
Nos supermercados, segundo o comprador da seção de hortifruti de uma rede de Bauru, Alexandre Facin, o registro da alta do preço do ovo girou em torno de 12% no último mês em comparação com o mesmo período do ano passado.
Ele engrossa o coro dos fornecedores e indica que o aumento no preço das rações foi o grande vilão da alta. Facin aponta que a soja e o milho, bases das rações oferecidas às galinhas, chegaram a ter alta de até 80% no período entre fevereiro e março.
O reflexo nas vendas ao consumidor final ainda não foi percebido pelos supermercadistas. A pequena queda registrada se deve ao aumento do preço final do produto, mas também à substituição de um alimento por outro. “Fazemos grandes ofertas de produtos, como carnes. A dona de casa acaba optando por substituir o ovo, que teve alta nos preços, pela carne oferecida a um custo mais acessível”, diz Facin.