Centreville - Passados quatro dias do massacre no Virginia Tech, Cho Sun-kyung, irmã do responsável pelas mortes, o estudante Cho Seung-hui, divulgou ontem um pedido de desculpas em nome da família no qual diz que o irmão foi amado por eles e lutava para ser aceito, mas “fez o mundo chorar”.
“Estamos profundamente sentidos pela devastação que meu irmão causou”, começa o texto. “Palavras não podem expressar nossa tristeza pela perda da vida de 32 pessoas inocentes nessa tragédia terrível e sem sentido”, continua o comunicado.
Depois de citar o nome de cada vítima e dizer que a família rezava por elas, a irmã de Cho escreve que ela e os pais se sentem “sem esperança, desamparados e perdidos. Cho é alguém com quem eu cresci e a quem amava. Agora sinto como se não conhecesse essa pessoa”.
Segundo a irmã do estudante, que presta serviços ao Departamento de Estado dos EUA, sua família sempre foi “unida, pacífica e amável”. “Meu irmão era quieto, mas lutava para ser aceito”, diz o texto. “Jamais poderíamos prever que fosse capaz de tanta violência. Estamos vivendo um pesadelo”.
Para Sun-kyung, “há raiva justificada” contra Cho e “perguntas sem resposta”. Conclui: “Nossa família continuará a fazer o que puder para ajudar as autoridades a entender por que esse ato sem sentido ocorreu. Nós mesmos temos perguntas não respondidas”.
A casa de dois andares onde vivem os tintureiros Cho Sung, 61 anos, e Cho Hyang, 56 anos, no 14.713 da Truitt Farm Drive - uma rua sem saída típica dos bairros de classe média dos subúrbios americanos -, em Centreville (Virgínia), a 40 minutos de Washington, está vazia desde terça.
Naquela noite, após conversar com o casal, agentes da polícia federal deixaram o local com caixas com material recolhido na casa e nos arredores. Desde então, o casal sumiu. Segundo a polícia estadual, estão sob proteção do FBI.
Passado o assédio maior da imprensa, os vizinhos querem ver passar a fama involuntária. Uma delas sai para correr e, ao ver os jornalistas, desiste. Os cones vermelhos colocados pela polícia para impedir a entrada de carros de não-moradores já foram tirados.
Dispostos a falar logo após o incidente, os vizinhos agora ameaçam chamar a polícia ou pedem para dar declarações anônimas. Alguns especulam que os pais de Cho possam colocar a casa à venda e voltar à Coréia do Sul.
Lei federal
Uma reportagem publicada ontem no jornal “The New York Times” (NYT) revela que, sob a lei federal americana, o autor do massacre no Instituto Tecnológico da Virgínia (Virginia Tech) deveria ter sido proibido de comprar armas depois de ter sido enviado para tratamento psiquiátrico em 2005.
O estudante sul-coreano Cho Seung-hui, 23 anos, comprou regularmente por US$ 571 uma arma e munição com as quais matou 32 pessoas antes de cometer suicídio no câmpus da universidade na última segunda-feira. Cho foi considerado uma ameaça para si mesmo e por isso orientado pela Justiça a fazer tratamento psiquiátrico.
Durante ao menos 17 meses antes do massacre, a Virginia Tech foi alertada de que o estudante apresentava sinais de comportamento fora do normal. Ele foi acusado de perseguir colegas, incendiar um quarto e tirar fotos impróprias durante as aulas.
O “NYT” informou que a lei federal dos EUA proíbe qualquer pessoa que tenha sido “identificada como mentalmente suspeita” ou “involuntariamente internada em uma instituição de tratamento mental” de comprar uma arma. Apesar disso, o estudante não teve problemas para adquirir uma arma em uma loja local e outra pela Internet.