O segundo disco do Arctic Monkeys eclipsa uma quantidade razoável de álbuns que estão sendo lançados lá fora e aqui no Brasil nesses semanas. A geração “novo rock” surgida em 2001, da qual faz parte o quarteto inglês, está representada por quatro grupos: Kings of Leon, Black Rebel Motorcycle Club, The Rakes e Maximo Park.
Até junho, chega por aqui, em formato digital e em CD, o sexto disco do Wilco, banda já um pouco mais velha e que bebe na tradição folk da música norte-americana. As quatro primeiras bandas parecem enfrentar a dúvida: continuar com o que dá/deu certo ou tentar novos caminhos? Nessa, apenas o BRMC sai por cima. Em “Baby 81”, o trio, que no início era comparado a Jesus and Mary Chain por causa de suas guitarras distorcidas, brincou com o country e o folk no terceiro álbum e, agora, retorna às guitarras distorcidas. Boa decisão.
Enquanto o Kings of Leon retoca seu rock setentista com ecos e efeitos de estúdio em “Because of the Times”, com resultado irregular, Maximo Park e Rakes decepcionam na tentativa de atualizar o pós-punk britânico do início dos anos 80. Muitas idéias, melodias de menos.
Esta era digital é também a era dos produtores. Nomes como Timbaland, Pharrell Williams e Mark Ronson são diretamente responsáveis por levantar a carreira de artistas como Justin Timberlake, Nelly Furtado, Lily Allen, Ami Winehouse etc. Após Williams fracassar em seu disco-solo, é a vez de Timbaland e Ronson saírem de trás do estúdio. E Timbaland, que produz o próximo disco de Björk; que elaborou faixas irresistíveis para Missy Elliott e tantos outros, desaponta feio em “Shock Value”. Ele tenta abraçar tudo (rock, funk, soul, rap) e não chega a lugar nenhum.
Sabiamente, em “Version”, Ronson pegou faixas de outros artistas (como Lily Allen, Smiths) e as desconstruiu adicionando sopros e arranjos sessentistas. Consegue dar vida nova a canções como “Toxic”, de Britney Spears. Na eletrônica, a bola da vez é o selo francês Ed Banger. Em “Vol. 2”, eles reúnem algumas das melhoras faixas de seu cast (Justice, Uffie, Mr. Oizo). E mostram como a dance music se revigora.