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Direção na terceira idade: ‘Só paro de dirigir se cassarem minha carteira’

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

Prestes a completar 80 anos, o agente fiscal de rendas aposentado Daltayr Valim tem uma história atrás do volante, seja do ‘caminhãozinho’ Chevrolet em que aprendeu a dirigir em 1943, seja dos inúmeros carros que passaram por sua vida desde aquela época. Com mais de 60 anos de quilometragem, Valim não pensa em parar de dirigir. “Só se cassarem minha carta”, garante.

Desde que aprendeu a dirigir, Valim sempre viajou muito. No começo era o transporte de ‘jabá da charqueada’ da família para o Paraná. Depois disso, o aposentado trabalhou em banco e posteriormente ingressou no serviço público, mais especificamente na Secretaria da Fazenda, onde atuava como fiscal de rendas e tinha que viajar por todo o Estado.

Mesmo com a cassação na época da ditadura militar, Valim não parou de dirigir. Foi trabalhar como corretor e o carro era o principal instrumento de trabalho. “O carro era como o melhor amigo, eu dependia dele”, comenta.

Toda essa experiência ajuda a enfrentar as dificuldades do trânsito. Segundo ele, o fato de dirigir há muito tempo ajuda a se acostumar com o caos que se transformou o trânsito, mas se fosse para começar a dirigir nos dias de hoje, seria difícil. “Os carros aumentaram muito e as ruas não alargaram”, comenta.

O que mais preocupa Valim é a falta de cuidado de alguns motoristas, sobretudo com a velocidade. Com a experiência de 60 anos no volante, o aposentado afirma que é necessário fazer mudanças na sinalização, para evitar que as pessoas corram demais. Para ele, deveria haver sonorizadores próximos aos radares, para evitar que o motorista chegue próximo a esses equipamentos em alta velocidade e depois diminua bruscamente. “A função do radar é diminuir a velocidade”, afirma.

Valim também destaca que não gosta de correr no trânsito, o que às vezes gera algumas reclamações por parte de outros motoristas, mas ele diz não se importar com o fato. “O pessoal buzina, grita ‘ô tio’, mas é muito difícil eu passar do limite de velocidade”, comenta.

O aposentado também destaca que com o tempo ficou mais cuidadoso ao dirigir. Segundo ele, é necessário esse cuidado, até porque o reflexo não é mais o mesmo e as reações são mais lentas. Ainda assim, Valim afirma que continua atrás do volante e só não dirige sozinho em viagens mais longas. “Aqui na região eu vou sozinho”, diz.

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