A cada ano, o Aeroclube de Bauru forma entre 30 e 40 pilotos. Parte deles não tem ambição de ingressar na área comercial, mas quem encara o curso como uma oportunidade profissional não há de se queixar para encontrar um lugar ao sol nas companhias aéreas. Conforme o JC já divulgou, estima-se que será necessário formar 17 mil pilotos por ano para dar conta da demanda mundial até 2024.
Ainda assim, reunir os requisitos obrigatórios para pleitear uma vaga em empresas como a Gol e a TAM exige dedicação e muito investimento. Em média, os pilotos levam cinco anos para serem incluídos no quadro de funcionários dessas companhias. Marcelo Mariano Oliveira Franco, 24 anos, calcula que levará cerca de oito para atingir a meta.
Em breve, ele espera obter autorização para fazer vôos privados. Depois, volta para as aulas práticas e teóricas para tornar-se um profissional. Mas nem assim estará apto a trabalhar em qualquer companhia ou numa empresa de táxi aéreo. No primeiro caso, tem de somar, ao menos, mil horas de vôo. No segundo, 500 horas.
O valor cobrado por cada hora de instrução varia de R$ 230,00 a mais R$ 1 mil, dependendo do equipamento. Para ser um piloto privado, no mínimo 35 horas devem ser cumpridas. Já para a carteira profissional são exigidas 150 horas de vôo, explica o instrutor do Aeroclube Rodrigo Murad.
Ele dá aulas para Marcelo que, por conta dos custos, faz o curso em ritmo lento. “É bastante caro, mas vejo com o investimento. Tenho boas expectativas para o futuro. Mas por enquanto, estou pegando poucas horas por mês. Vou primeiro tirar a carteira de piloto privado para depois correr atrás da de piloto comercial”, comenta.
Exame
Para dar o primeiro passo (mesmo para quem faz a opção de pilotar avião apenas no âmbito familiar), o interessado deve submeter-se a um exame físico realizado no Hospital de Aeronáutica de São Paulo. Para tanto, a despesa é um pouco superior a R$ 400,00. Caso seja aprovado em avaliações como audiometria e cardiologia, por exemplo, o aspirante a piloto inicia as aulas teóricas.
Para obter informações sobre meteorologia, regulamentação de tráfego aéreo, teoria de vôo, aerodinâmica e navegação, um novo investimento de aproximadamente R$ 1 mil deve ser efetuado. Concluída a etapa de três meses, o aluno ainda deve submeter-se a um exame estabelecido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Os aprovados - cerca de 80% da turma, em média - recebem a carteira de piloto privado. Para obter a de piloto comercial, todo o processo deve ser repetido, sendo que o grau de exigência aumenta, assim como as horas de vôo.