O promotor de Meio Ambiente, Luiz Eduardo Sciuli de Castro, disse ontem que está “muito preocupado” com a possibilidade de Bauru ficar sem ter onde depositar o lixo domiciliar até o final deste ano. A preocupação foi ampliada depois que o diretor de Limpeza Pública da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), Rubens Sérgio Duque, afirmou, em depoimento ao Ministério Público (MP), nesta semana, que “o aterro sanitário tem capacidade para operar somente por mais três meses”.
A declaração foi colhida no procedimento de averiguação instalado pela Promotoria sobre a precariedade do serviço de limpeza pública na cidade. “As reclamações principais sempre recaem sobre a coleta de lixo domiciliar em razão da frota antiga, da quebra permanente de caminhões e da presença dos resíduos nas ruas. Mas a avaliação do diretor da área de coleta de que a situação do aterro está neste estágio é muito mais preocupante e isso já deveria ter sido solucionado”, comentou o promotor.
Na avaliação do promotor Luiz Eduardo, 90 dias de operação não significam nada para o volume de lixo retirado das ruas diariamente. “A situação do aterro sanitário me preocupa muito. Achei muito pouco tempo para se chegar ao limite de operação no aterro. Depois será operar no esgotamento e isso é questão muito séria”, reforçou o representante do MP.
Conforme o promotor, as informações colhidas até agora no procedimento preparatório que apura o caso mostram que as alternativas para resolver o problema não estão adiantadas. “A preparação da chamada quarta camada que daria sobrevida ao aterro não está avançando como deveriam e isso agrava o problema. Não há nada de concreto em relação à instalação de um novo aterro, a não ser uma área prevista para isso. O Poder Público terá de resolver isso, é questão de saúde pública”, ponderou.
Na avaliação da direção da Emdurb, a limitação da operação do aterro preocupa mas não chega a ser alarmante. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, as obras para receber autorização para a quarta camada estão em andamento. A assessoria conta que foi feita a escavação no aterro para a camada adicional e falta impermeabilizar para concluir a lagoa de chorume (líquido que sai do lixo recolhido).
A movimentação dos resíduos no aterro sofreu interrupção há pouco tempo, mas o problema foi contornado com nova locação de máquinas pela Emdurb, em razão de problemas apresentados no equipamento utilizado pela empresa no local.
Outra situação levantada pela Promotoria na verificação dos problemas do lixo em Bauru é que a vala séptica utilizada para o depósito de resíduos de saúde vindos de hospitais, clínicas e do Pronto-Socorro também só tem capacidade para mais 45 dias. “A Emdurb tem recorrido nesses casos à abertura de nova vala séptica, mas o ideal é incinerar o material. Mas não há previsão de instalação de equipamento nesse sentido (autoclave)”, conta Sciuli.
Sobre a precariedade da frota de caminhões, o promotor público ponderou que o anúncio da compra de seis novos veículos, com capacidade de 15 m3 de carga de lixo cada um, vai dar fôlego ao sistema por algum tempo.