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Aos 87, morre Carmen Costa, cantora da marchinha ‘Cachaça’

Por Luiz Fernando Vianna | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Cantora que teve seu auge nos anos de ouro do rádio, Carmen Costa morreu ontem, aos 87 anos, no Rio de Janeiro. Ela sofreu insuficiência renal e parada cardíaca no hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca (zona oeste), onde fora internada na véspera. Seu corpo foi velado na Câmara dos Vereadores do Rio e deverá ser cremado hoje.

Natural de Trajano de Moraes (região serrana fluminense), Carmelita Madriaga entrou na música com um empurrão do acaso. Aos 15 anos, já no Rio, foi trabalhar como doméstica na casa do cantor Francisco Alves, que gostou de sua voz e a estimulou a participar de coros e programas de calouros.

Em 1937, adotou o nome Carmen Costa por sugestão de Henricão, com quem formou dupla até 1942 (ano de seu primeiro disco) e de quem gravou músicas como “Marambaia” e “Está Chegando a Hora”.

Foi uma das primeiras intérpretes a registrar composições de Luiz Gonzaga, entre elas “Chamego” e “Sarapaté”. Casou-se em 1945 com o norte-americano Hans Van Koehler, vivendo nos Estados Unidos e também apresentando-se na América do Sul. Voltou ao Brasil em 1949, e três anos depois gravou, com Colé, seu maior sucesso: a marchinha “Cachaça” (“Você pensa que cachaça é água...”), de Mirabeau e outros três autores.

Pai da única filha da cantora, Mirabeau fez vários sambas e marchas para Carmen, como os sucessos “Quase” e “Tem Nêgo Bebo Aí”.

Um outro sucesso dos anos 1950 foi “Eu Sou a Outra” (Ricardo Galeno), que ela interpretava com muita emoção. Sob o pseudônimo Dom Madrid, Carmen também foi parceira de Mirabeau.

Embora não tivesse o mesmo cartaz de Emilinha Borba e Marlene, fez bastante sucesso na rádio Nacional na década de 1950. E tinha a diversidade como marca, pois se dividia em sambas, sambas-canção, boleros e baiões.

Também atuou em filmes nesse período. Cantando ao lado do violonista Bola Sete, Carmen participou do histórico concerto realizado no Carnegie Hall, em Nova York, que deslanchou a carreira internacional da bossa nova. Mas não se dedicou muito ao gênero. Consolidou, nos anos 1970, um repertório de sambas e marchas, gravando LPs como “Ziriguidum no Sambão” (1971) e “Trinta Anos Depois” (1973).

A partir da década seguinte, passou a enfrentar dificuldades financeiras e de saúde em função do declínio profissional. O CD “Tantos Caminhos”, de 1996, foi uma tentativa de reengrenar sua carreira. De fato, ela voltou a fazer shows, mas sem o reconhecimento sonhado.

Em 2003, propôs ao ministro da Cultura, Gilberto Gil, seu próprio tombamento como patrimônio artístico nacional, mas ele só aconteceu simbolicamente, em âmbito carioca, por iniciativa de um vereador. Na época, compôs “Tombamento”, canção em que dizia: “Eu sou a raça/ Sou mistura/ Sou aquela criatura/ Que o tempo vai tombar.”

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