Nacional

Polícia liberta família após 56 horas

Por Maurício Simionato e João Carlos Magalhães | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Campinas - Depois de 56 horas de tensão, o assaltante Gleison Flávio Salles, 23 anos, que havia feito três crianças e a mãe delas reféns no início da tarde de terça em Campinas (95 quilômetros de São Paulo), foi preso pela polícia e as vítimas libertadas. Uma hora antes, o assaltante havia liberado uma das crianças, Vitor, 10 anos. Um dos irmãos já havia sido solto na própria terça.

De acordo com a polícia, esse foi o mais longo caso de cárcere privado da história do Estado de São Paulo. Após a libertação dos reféns, outro filho, Tiago, 7 anos, correu para abraçar o pai, fez um sinal de positivo e acenou para as pessoas. A mãe, Mara Souza, 29 anos, não se pronunciou.

A libertação ocorreu por volta das 20h. Mãe e filho foram levados imediatamente a uma ambulância para serem atendidos por paramédicos. Vitor, 10 anos, também já havia sido atendido. Na terça, seu irmão Murilo, 3 anos, já havia sido liberado em troca de um colete à prova de balas. Disparo Por volta das 19h50, foi feito um disparo contra a porta e os paramédicos correram para o local. Os outros dois reféns foram liberados e o Grupo Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar, invadiu a casa. Salles estava debaixo da cama e foi preso. Ninguém se feriu. De acordo com o coronel Eliazário Ferreira Barbosa, ao ser libertado, Vitor disse que o “homem (Salles) não era mal” e que libertaria o irmão e a mãe, o que levou cerca de uma hora para acontecer.

O criminoso não exigiu nada para libertar os reféns. A polícia afirmou que, com a chegada do terceiro dia de seqüestro, o criminoso se cansou e desistiu dos pedidos feitos anteriormente, como um carro para fugir, além de extintores de incêndio. Além do cansaço, a presença de uma mulher próxima a Salles nas negociações foi crucial para a libertação dos reféns. “Ela foi preponderante para o desfecho do caso.”

A identidade dela não foi revelada, mas, segundo a polícia, foi a mulher quem procurou as autoridades para auxiliar no resgate. “Ela caiu do céu”, disse o coronel, que afirmou que ela passou ao menos meia hora conversando com o criminoso.

“Brasil todo”

Durante esse tempo, ela chegou a dizer ao assaltante que “o Brasil todo estava sabendo e acompanhando o caso”. A polícia só identificou o criminoso à tarde. Nos dois primeiros dias, Salles chegou a ser chamado de Felipe e Ivanildo. Salles está foragido da Justiça desde outubro de 2005. É fugitivo do Complexo Penitenciário de Hortolândia (SP). Foi condenado por um homicídio e três tentativas de homicídio. Ele nasceu em Recife (PE) e tem o apelido de Madruga. Durante os quase três dias de negociação, ele demonstrou ser uma pessoa racional, fria e irredutível, segundo avaliação de policiais.

Na madrugada de ontem, o criminoso exigiu dois extintores de incêndio.

Cinema

Ele não disse aos negociadores porque fez o pedido. Uma das possibilidades admitida pela polícia é de que ele tivesse se inspirado no filme “O Negociador’’, exibido recentemente em canal aberto. Nele, um assaltante com reféns usa o extintor para sair de uma loja e fazer uma “cortina de fumaça’, impedido a visualização por parte de uma atirador de elite. Na tarde de ontem, o pedido foi reafirmado com o acréscimo de cigarros e água, que foram dados a ele.

Salles invadiu a casa na última terça-feira depois de participar de um furto de um videogame em uma lan house no mesmo bairro. O parceiro que o acompanhava conseguiu fugir e até ontem ainda não havia sido localizado. Ao fugirem a pé, os dois foram surpreendidos por um policial à paisana. Houve troca de tiros e o assaltante pulou muros até chegar à casa da família. Até a conclusão da edição, a reportagem ainda não havia conseguido falar com Salles nem saber se ele já possuía um advogado.

Comentários

Comentários