Polícia

Laudo da reconstituição mostra compatibilidade na versão dos policiais

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Os relatos dos três policiais militares envolvidos na morte do mecânico Jorge Luiz Lourenço, 22 anos, registrados durante reconstituição realizada há dez dias, mostraram total compatibilidade, inclusive com a pormenorização de detalhes sutis e de difícil simulação, segundo laudo do Instituto de Criminalística.

A reconstituição faz parte das apurações relativas à morte do rapaz. Há cerca de um mês e meio, numa tentativa de fuga, ele foi atingido na cabeça por um projétil disparado por uma equipe em patrulhamento. Segundo a versão dos policiais registrada no laudo, a guarnição acompanhava o suspeito que pilotava uma motocicleta pela avenida Rosa Malandrino Mondelli, sentido Centro-bairro.

Nas imediações da quadra 10 da via, perderam contato visual com o piloto. Reduziram a velocidade da viatura e perceberam a existência de uma viela de terra, à direita. A 30 metros da entrada, dois policiais desembarcaram e seguiram mata a dentro, separadamente. Seguiram em direção onde acreditavam estar a moto.

O outro policial, que conduzia o veículo, também seguiu em direção ao terreno de mata nativa para auxiliar os companheiros, segundo a versão dos três. Então, houve alguns disparos de onde o motorista da motocicleta estaria. Guiados pelos lampejos da arma de fogo, dois revidaram.

Ao solo

Quando os tiros cessaram, dois deles seguiram para o local de onde teriam partido os disparos e encontraram a vítima caída ao solo. Ainda segundo a versão dos policiais, percebendo o ferimento do rapaz, gritaram ao terceiro policial para que aproximasse a viatura e providenciasse socorro imediato.

“Para nós, é mais um indício satisfatório de que eles não estão mentindo. O que ocorreu foi uma fatalidade. Não agiram de forma criminosa em absoluto. Eles lamentam a morte do rapaz porque a intenção não era essa. O laudo veio reiterar que eles disseram a verdade”, diz a advogada Fernanda Cabello da Silva Magalhães, que representa os policiais.

Já a defesa dos familiares do mecânico não descarta a possibilidade do trio ter combinado uma versão mais satisfatória para eles. “E mesmo assim, nada justifica um tiro na cabeça. Eram três contra um jovem de 22 anos”, comenta o advogado Rodrigo Garms. Ao JC, ele informou que gostaria de estudar melhor o laudo para depois manifestar-se.

Já o delegado do 2.º Distrito Policial, Marcos Cremonesi, preferiu não comentar o assunto. A reportagem não conseguiu localizar ontem à noite alguém da Polícia Militar para discorrer sobre o laudo da reconstituição. Em inquérito policial militar, os três policiais foram indiciados por homicídio.

Versão da família

De acordo com a família de Jorge Luiz Lourenço, o mecânico era trabalhador, nunca portou arma, nem antecedentes criminais. Ele havia saído do trabalho e seguia para casa quando percebeu o bloqueio policial. Segundo parentes, fugiu porque não tinha habilitação e o documento da motocicleta estava vencido. (Da Redação)

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