Saúde

Toques e retoques

Daniela Hueb - Médica, CRM-SP 96.027
| Tempo de leitura: 4 min

A importância dos nutrientes energéticos

Prezado leitor,

Certamente no período da escola você já ouviu falar dos nossos três convidados especiais de hoje: as proteínas, os carboidratos e as gorduras. As pessoas já estão familiarizadas com estes termos, uma vez que os consomem diariamente. Tanto que alguns leitores já devem estar acostumados, inclusive, a avaliarem a qualidade dos alimentos através da tabela nutricional impressa nas embalagens. É claro que você não vai ao supermercado e compra três pacotes de proteína, duas latas de gordura e um punhado de carboidrato. Não, isso realmente não acontece. Porém, eles estão lá escondidinhos toda vez que você compra, por exemplo, um pedaço de carne, pães, óleos vegetais ou manteiga. Resolvi dedicar a coluna de hoje a desmitificar esses três elementos, pois, se consumidos de forma incorreta, eles podem provocar várias doenças, inclusive a mais comum de todas: a obesidade.

Somos tricombustível

As proteínas são conhecidas como nutrientes energéticos, de construção e funcionais. Isso devido ao fato delas constituírem as principais partes dos órgãos, das células, dos tecidos e dos nossos músculos. Por ser tão importante para o nosso corpo, uma vez consumido, esse combustível é prontamente absorvido pelo organismo. Geralmente são encontrados em alimentos de origem animal, como as carnes, queijos e os ovos. Porém também podem ser consumidos através de alguns vegetais, como a soja, o feijão, a ervilha, a lentilha e o grão-de-bico.

Já os carboidratos têm função estrutural de armazenamento energético e são capazes de fornecer energia rapidamente ao organismo numa situação de emergência. Deste grupo também fazem parte as fibras alimentares, que ajudam a regular o funcionamento do intestino. Eles são estocados nos músculos e no fígado na forma de glicogênio. Os alimentos ricos em carboidratos são os de origem vegetal, como as massas, os açúcares, os doces, as frutas, os legumes e as farinhas. Nos produtos de origem animal, a quantidade é desprezível.

Por fim, as gorduras são nutrientes utilizados como uma reserva de energia e podem ser uma fonte secundária, principalmente porque são absorvidas de maneira bem lenta pelo organismo. Elas ficam estocadas, em maior quantidade, nas chamadas células adiposas. Existem, no entanto, dois tipos de gordura: as saturadas e as insaturadas. A primeira trata-se daquele tipo sólido, encontrado em produtos animais, como a gordurinha visível nas carnes, na pele das aves e na manteiga. Já as insaturadas são as líquidas e encontradas mais comumente nos produtos vegetais, como os azeites e óleos, nas azeitonas e nas oleaginosas, como as nozes, as castanhas, as amêndoas e o amendoim. Mas não termina aí. Há ainda outro tipo famoso de gordura chamada de trans, que são sintéticas e encontradas em qualquer “transqueira” alimentar, como nos doces, nas bolachas e biscoitos, nos pães brancos como o francês e ainda nos sorvetes de massa e na margarina.

Importâncias funcionais

As proteínas são importantes para a produção de alguns hormônios, como a insulina, o glucagon, o hGH (do crescimento) e o da tireóide. Elas fortalecem a imunidade do organismo por aumentar e reforçar cada vez mais os nossos anticorpos. Podem, ainda, atuar como transporte de algumas substâncias importantes como o colesterol bom. Além de sustentar a pele na forma de colágeno e elastina, as proteínas contribuem na contração muscular, ajudam a aliviar os edemas (os famosos inchaços), aumentando a freqüência urinária. A sua função mais nobre, no entanto, é a de fazer parte do nosso código genético e transmitir as nossas características aos nossos descendentes. Para se ter uma idéia, a proteína é o idioma oficial de qualquer organismo vivo.

As gorduras também são importantes para a formação de alguns hormônios, como os sexuais (testosterona, estrogênios e progesterona) e são partes constituintes das membranas que envolvem as células. Elas atuam como solventes das vitaminas solúveis em gorduras, entre elas a A, D, E e K. Além disso, as gorduras são responsáveis por manter a temperatura do organismo e é a nossa principal reserva energética.

Já os carboidratos possuem função exclusivamente energética, principalmente para órgãos vitais como o cérebro, o mais ávido por carboidratos. Ajudam também a contrabalançar a freqüência urinária em conjunto com as proteínas e, no caso dos maratonistas, preservar a massa muscular.

A hierarquia do aproveitamento nutricional

Quando acabamos de nos alimentar, nosso organismo utiliza aqueles três tipos básicos de nutrientes na seguinte ordem:

1- Absorção das proteínas; 2- Absorção dos carboidratos; 3- Absorção das gorduras.

Em caso de jejum prolongado, a seqüência é modificada:

1- Absorção dos carboidratos; 2- Absorção das gorduras; 3- Absorção das proteínas.

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Um raciocínio lógico

Baseado na hierarquia de aproveitamento nutricional nota-se que, quando acabamos de nos alimentar, conforme falamos anteriormente, o primeiro nutriente absorvido é a proteína. No caso de um jejum prolongado, ela é a última a ser utilizada. Percebe como o nosso organismo trata a proteína com nobreza?

Em seguida vêm os outros dois, porém os carboidratos estão sempre à frente das gorduras. O que quer dizer: quanto mais se consome carboidrato, menos o organismo aproveita e queima a gordura. E sabe qual a conseqüência? Engorda-se mais facilmente. Isso explica o porquê da dieta equilibrada e saudável ser rica em proteínas, moderada em gorduras e pobre em carboidratos.

Agora que você conheceu um pouco mais dos três tipos de nutrientes energéticos utilizados pelo organismo, emagrecer de forma saudável pode ser uma tarefa fácil. E só depende de você!

Um grande abraço e até o próximo domingo.

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