Bairros

Cruzamento férreo faz mais uma vítima

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Enquanto prossegue o jogo de empurra entre prefeitura e América Latina Logística (ALL), que não definem a quem cabe a responsabilidade de instalar e manter cancelas nas passagens em nível de Bauru, mais uma vítima surgiu ontem pela manhã. A escriturária Rafaela Ribeiro, 21 anos, não escutou o apito de um veículo de manutenção da linha férrea que passava na altura da rua Waldemar Pereira da Silveira e acabou colidindo com sua motocicleta contra o trem. Apesar do local estar sinalizado, não há cancelas.

De acordo com Neuci Vieira, mãe da vítima, Rafaela estava indo trabalhar em uma empresa do Distrito Industrial com sua moto Honda Biz vermelha. “Ela me disse que, por estar de capacete, não ouviu o apito do trem e quando percebeu, tentou frear. Mas como tinha muita areia na rua, a moto derrapou. Ela só foi parar quando bateu no trem”, descreve.

Rafaela foi socorrida pela equipe de resgate dos Bombeiros. Sua mãe informa que a jovem está bem. “Ela ficou apenas com um roxo da pancada”, conta. A motocicleta ficou com a parte da frente comprometida.

Apesar de não ter sofrido ferimentos graves, o susto foi grande. “Foi graças a Deus que não aconteceu nada com ela. Mas alguma providência tem que ser tomada. No mínimo uma cancela ou um daqueles luminosos de alerta”, diz.

Para Neuci, enquanto ALL e prefeitura não definem quem deve fazer o quê, as pessoas que passam por lá continuam sem segurança. “Quem vai resolver? E as vidas que podem ser comprometidas? Alguém tem que tomar uma providência”, pede.

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) afirma que toda a sinalização que é de sua responsabilidade foi feita. Já a ALL alega que as cancelas não são itens obrigatórios na sinalização de cruzamentos férreos. Os equipamentos de segurança obrigatórios, como a cruz de Santo André, placas de alerta e sinalização no solo estão disponibilizados no local.

Segundo a ALL, as cancelas sofrem constantemente a ação de vândalos e podem apresentar problemas técnicos freqüentes. Há duas semanas, foi divulgada a intenção de prefeitura e ALL se reunirem para discutir o caso. Até ontem, o encontro não tinha sido marcado.

Alerta e buzina

Para alertar os pedestres e motoristas, os maquinistas da empresa buzinam, seguindo procedimento internacional de segurança praticado nas ferrovias do mundo inteiro. No Brasil, segundo uma norma do Regulamento Geral de Operação Ferroviária, deve-se tocar a buzina da locomotiva antes de iniciar a movimentação próximo a túneis, viadutos e ou de uma passagem em nível.

Nesse caso, os maquinistas começam a acionar a buzina com antecedência para advertência, não menos de 200 metros antes de chegar à passagem em nível. A norma observa que a buzina deve continuar sendo tocada até que o cruzamento esteja ocupado pelo trem.

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Fala-povo

Silmara Cristina Narciso, 33 anos, serviços gerais - “Eu acho que a empresa tem que arcar com a segurança, como instalar cancelas. A ferrovia não foi privatizada? Então é a empresa quem tem que fazer”

Cícero Alexandre, 43 anos, motorista - “É complicado, porque um culpa o outro e ninguém resolve. Mas acho que a prefeitura tem que tomar a responsabilidade, porque é ela quem define as sinalizações das ruas”

Sérgio Lisboa, 43 anos, motorista - “É um absurdo. Mas se é a prefeitura quem regulamenta o transporte na cidade, ela é quem tem que colocar segurança nesses lugares”

Nayara Garcia de Lima, 16 anos, estudante - “Acho que a prefeitura tem que se responsabilizar. É de interesse da prefeitura garantir a segurança dos bauruenses”

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