São Paulo - Estudantes invadiram ontem as reitorias de pelo menos três universidades federais do País, em protesto por melhorias nas instituições e em solidariedade a invasões semelhantes, como a da Universidade de São Paulo (USP).
Na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), as invasões fazem parte do dia de mobilização nacional que a União Nacional dos Estudantes (UNE) prepara para hoje no País.
Já os alunos que invadiram a reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) negam articulação com a entidade estudantil. O protesto também ocorre em apoio ao movimento grevista de servidores das universidades federais.
Segundo a Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra), servidores de 38 universidades federais estão em greve. A Fasubra representa 46 de 53 universidades federais. Desde 28 de maio, a greve afeta o funcionamento de bibliotecas, laboratórios, restaurantes e hospitais.
Na UFRGS, cerca de 300 estudantes invadiram, às 11h, o saguão da reitoria, em Porto Alegre. Os alunos montaram barracas e levaram cobertores, colchonetes e comida. Faixas e cartazes foram afixados com as frases: “Estudantes da UFRGS na luta com a USP” e “Todo o apoio à luta dos estudantes da USP”.
Segundo Beliza Lopes, 22 anos, uma das organizadoras da manifestação, o ato não foi orientado pela UNE.
Em reunião com o reitor da UFRGS, José Carlos Hennemann, o grupo apresentou demandas como redução da taxa de vestibular, cota de 20% para negros e de outros 20% para alunos de escolas públicas e construção de um restaurante universitário.
No Paraná, cerca de 100 estudantes invadiram um dos três andares da reitoria da UFPR. Segundo a assessoria da universidade, os alunos concordaram em desocupar o prédio até o meio-dia de hoje. As atividades da reitoria foram paralisadas após a invasão.
Eles reivindicam a criação de um plano de assistência estudantil, a implantação de linhas de ônibus entre os campi e a utilização do rádio e da TV da UFPR pelos alunos.
Em Recife, cerca de 30 estudantes montaram acampamento no saguão de entrada da reitoria. O expediente do órgão não foi afetado. Entre as reivindicações estão aumento de bolsas e de verba para assistência estudantil, reativação do restaurante universitário e uma creche para filhos de alunos e docentes.
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
NÚMEROS DA INVASÃO 300 alunos invadiram o saguão da reitoria
PRINCIPAIS REIVINDICAÇÕES
*Posicionamento da reitoria contra a reforma universitária
*Redução da taxa de inscrição no vestibular, de R$ 100,00 para R$ 50,00
*Cota de 20% para negros e de outros 20% para alunos de escolas públicas
*Construção de um restaurante universitário no prédio do curso de educação física
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
NÚMEROS DA INVASÃO 30 alunos invadiram o saguão da reitoria
PRINCIPAIS REIVINDICAÇÕES
*Aumento de verba de assistência estudantil de 8% para 14% do orçamento da instituição
*Ampliação do número de bolsas a alunos
*Reativação do restaurante universitário
*Creche para filhos de alunos e professores
:Universidade Federal do Paraná (UFPR)
NÚMEROS DA INVASÃO 100 estudantes invadiram duas salas da reitoria - uma delas a do reitor
PRINCIPAIS REIVINDICAÇÕES
*Plano de assistência estudantil
*Linhas de ônibus entre os campi da universidade
*Utilização da rádio e da TV da universidade pelos alunos