Bairros

Para quem está sem crédito, telefone público é alternativa

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A estratégia de usar telefone celular só para receber chamadas está impulsionando a venda de cartões telefônicos. O brasileiro, sem dinheiro para manter o celular pré-pago com crédito, prefere comprar cartões para falar nos orelhões. E, de acordo com a Telefônica, nos últimos cinco anos a venda das unidades subiu 3%. Em todo o Estado, são vendidos 13 milhões de cartões por mês, média de um a cada 5 segundos. Para o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o alto custo de uma linha fixa pode ter contribuído para a saída encontrada pelo brasileiro para fazer a telefonia se adaptar ao seu bolso.

De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), dos 102.875.236 celulares em serviço registrados ao final do segundo bimestre no Brasil, mais de 82,6 milhões (80,35%) são pré-pagos e outros 20 milhões (19,65%) são pós-pagos. O auxiliar de impressão Roger Luiz Jerônimo tem um celular pré-pago que todo mês é abastecido com créditos. Porém, ele ainda gasta R$ 20,00 por mês em cartão. “Eu compro os de 50 unidades. Apesar de acabar rapidinho, fica muito mais em conta do que falar no celular”, calcula. Cada unidade dos cartões, numa chamada local para telefone fixo, dura em média 2 minutos.

Já Isabel Ferreira da Silva gasta R$ 60,00 só com os créditos do celular pré-pago e cartões telefônicos. “Se você coloca na ponta do lápis, fica quase a mesma coisa que ter um telefone em casa. Mas a assinatura é cara e você tem que pagar todo mês. Já os cartões e os créditos, eu controlo. Se você tiver telefone fixo, acaba falando muito e só percebe no final do mês”, observa.

Não é por falta de telefone que o representante comercial Neri Donido fala no orelhão. Por conta do trabalho, mantém duas linhas pós-pagas. Mas para economizar, compra cartões especiais com 135 minutos cada. “Pago R$ 40,00 cada. Mas para mim é bem melhor. Como falo bastante ao telefone, é preciso dar um jeito. E em todo lugar tem orelhão”, diz. De acordo com a Telefônica, no total a cidade tem 2.642 orelhões espalhados pelos bairros. Na região de Bauru, são 14.871 telefones públicos.

Para a empresa, o aumento na venda de cartões se deve à economia oferecida pela telefonia pública. Uma ligação de orelhão para telefone fixo é 20 vezes mais barata que de celular (veja quadro abaixo). Por determinação da Anatel, os orelhões são acessíveis e ficam a menos de 300 metros de distância um do outro. Os aparelhos ainda fazem ligações locais, interurbanas e internacionais, além de receber chamadas.

O comerciante Cléber Gumieira vende cartões telefônicos em sua papelaria no Núcleo Mary Dota. Ele conta que chega a comercializar uma média de 60 cartões por semana. “A maior procura é pelo de 20 unidades. Aliás, até está em falta”, conta. Os valores dos cartões sugeridos pela telefônica variam de R$ 2,32 para os de 20 unidades a R$ 8,70 para os de 75 créditos. Porém, são vendidos por R$ 3,80 de 20 unidades e R$ 7,00 de 50.

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Orelhão a cada 300 metros

A regulamentação do setor de telefonia prevê que o usuário tenha que caminhar no máximo 300 metros para encontrar um telefone público. Em matéria veiculada anteriormente pelo JC, a Telefônica informou que Bauru está inserida nessa situação.

Na mesma ocasião, a assessoria de imprensa da empresa revelou que, mensalmente, 25% dos 331 mil orelhões do Estado de São Paulo sofrem algum tipo de vandalismo. Somente para recuperação e reposição dos terminais depredados seriam gastos todos os meses R$ 1,2 milhão.

Luiz Galano

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