Cristina Albuquerque, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, diz que aumento das denúncias significa que o número está mais divulgado e que a sociedade pode estar acordando para o tema.
A coordenadora do Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes diz que o baixo número de denúncias registradas no Estado de São Paulo (proporcionalmente à população) indica a necessidade de maior divulgação do Disque-Denúncia. Nesse sentido, casos como o de Bauru (quinta cidade no ranking geral) e Osasco (segunda) podem até ser encarados como positivos.
“O fato de haver mais denúncias significa que o número está bem divulgado e que há mais sensibilização em relação ao tema”, diz Cristina. “Não se pode estigmatizar um movimento de denúncias que é positivo.” Segundo a especialista, esses casos de violência sexual são protegidos por um “pacto do silêncio”. “Se estão aparecendo, é porque pessoas estão tomando uma atitude”, avalia. “É bom pelo aspecto do desvelamento do problema.”
Segundo ela, a tendência em termos de política pública é que apareçam mais os casos. O Distrito Federal, por exemplo, é o Estado com maior número relativo de denúncias, mas em boa parte por conta da divulgação do Disque-Denúncia - e de uma suposta conscientização de seus habitantes. “O caso do Maranhão é ilustrativo”, conta Cristina. “A gente viu que o Estado aparecia em segundo lugar, e descobriu que o governo do Estado tem uma portaria obrigando todo cartaz a divulgar o número do Disque-Denúncia”.
Ainda sobre o baixo número de denúncias no Estado de São Paulo, ela diz que não se trata somente de divulgar mais o número, mas de promover uma ação “mais objetiva, mais forte, com relação à sensibilização das pessoas”. “Em relação ao abuso, as pessoas têm de ter coragem para denunciar. No caso da exploração, ocorre a banalização - há preconceito, dizem que as meninas são assim mesmo, são as filhas dos outros... As pessoas têm de acordar para ver que o crime é gravíssimo”.