Pesca & Lazer

História de pescador: O ladrão de gasolina


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No tempo que os carros eram abastecidos sexta-feira, porque no fim de semana os postos de gasolina permaneciam fechados, na época eu tinha uma oficina mecânica na quadra 1 da rua dos Andradas, e gostava de pescar a noite, e sempre ia comigo dois dos meus empregados, Tochio e o Américo, ambos já falecidos, infelizmente.

Uma sexta-feira, saímos de Bauru às 18h para ir até a barragem de Bariri a fim de pescar, e sempre levava uma lata de 4 litros com estopa encharcados com óleo queimado por causa dos pernilongos. Chegando na barragem, era preciso deixar a condução uns 800 metros porque tinha uma porteira fechada com cadeado.

Naquele dia, no local já tinha chegado outros pirangueiros e estavam lá uma Kombi, um Corcel e uma Caravam e todos com o tanque cheio, eu acho. Pegamos as nossas tráias e as lanternas e descemos até o rio, e ficamos pescando até as 4h da madrugada. Os outros pirangueiros ficaram, eu acho, até o dia amanhecer.

A subida era longa e todos nós estávamos cansados, mas, ao chegar, encontramos todos os carros arrombados, levaram toda gasolina e todos pertences. O meu não precisou arrombar, eu esqueci a trava do capô destravado e fiquei sem o estepe, sem macaco e as ferramentas, até um pacote de quirera eles levaram. O jeito foi apelar. O Tochio conseguiu tirar o restante da gasolina dos carros e deu para chegar até Bauru. Eu andei mais na banguela do que funcionando. Não sei como a turma que ficou se arrumou!

O ladrão, que era de uma cidade vizinha, foi pego dois anos mais tarde. Ele vinha com uma caminhonete e trazia um tambor para afanar a gasolina. E, apesar disso, nós continuamos a pescar por ali.

Florindo Martins é pescador e contador de histórias.

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