São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, ao participar de cerimônia pelos 50 anos da Scania, em São Bernardo do Campo (SP), que o Brasil e outros países do G20 não irão reduzir a produção de produtos industrializados.
A divergência entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento na questão das tarifas aplicadas nos mercados agrícolas e de bens e serviços foi o que motivou a suspensão da reunião do G4 (grupo formado por Estados Unidos, União Européia, Índia e Brasil), há duas semanas, encontro que tentou destravar justamente as conversas da Rodada Doha. “Os Estados Unidos e a União Européia queriam que nós abríssemos mãos de produtos industrializados e serviços. Tivemos coragem de não ceder às economias desenvolvidas e não sermos subservientes a eles”, disse.
Segundo Lula, os Estados Unidos se recusaram a reduzir os subsídios para a agricultura e os países da União Européia não queriam reduzir suas taxas. Durante a reunião, segundo Lula, os EUA chegaram a propor que US$ 11 bilhões de subsídios agrícolas de 2006 fossem elevados para US$ 17 bilhões. “Chega de ser pequeno e de ser o país do futuro. O mundo precisa aprender que o Brasil resolveu assumir a sua grandiosidade geográfica também na economia”, afirmou o presidente.
Na semana passada, Lula já havia dito que se os Estados Unidos e a União Européia não aceitarem reduzir seus subsídios agrícolas, o Brasil não aceitará abrir o mercado industrial no âmbito das negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC). No evento de ontem, Lula ressaltou que a indústria automobilística superou sua fase de crise e que há até fila de espera para a compra de caminhões e veículos.
No mesmo evento, Lula também falou sobre o mercado cambial e disse que a depreciação do dólar frente ao real é um problema dos EUA. “O real não está valorizado sobre o euro, por exemplo. O dólar está desvalorizado em relação a todas as moedas. Ninguém tem coragem de dizer porque (os EUA) são grande, mas há um déficit fiscal”, disse.
O presidente afirmou que o câmbio flutuante é preferência do empresariado e que o governo não pode determinar seu valor, mas que está fazendo o possível para evitar prejuízos a alguns setores comprando US$ 12 bilhões por ano. Para o presidente, se a cotação do dólar subir em relação ao real, também subirá a inflação e cairá o poder aquisitivo do trabalhador. “Se o dólar atender quem vende, prejudica quem compra e também o trabalhador”, disse.
Em seu discurso, Lula voltou a afirmar que a economia nunca esteve tão estável e que a oferta de crédito no País foi de R$ 300 bilhões para quase R$ 800 bilhões. “Eu era socialista e fui presidente de um país capitalista que não tinha capital. Se o país é capitalista, precisa ter dinheiro”, disse Lula.